Luciana Pombo e Agência Estado
O sem-terra Lafayete Antônio de Oliveira, de 43 anos, um dos líderes do acampamento do MST na Fazenda Santo Antônio, em Cabrália Paulista, a 50 quilômetros de Bauru (SP), foi morto com cinco tiros anteontem por volta das 23 horas. Integrantes do acampamento disseram ter ouvido os tiros e já encontrado a vítima agonizante.
O crime traz intranquilidade à região, pois as 300 famílias sem-terra - que ocupam a fazenda há dois meses - prometem resistir à ordem de desocupação emitida pelo juiz Luiz Roberto Fink Jr., de Piratininga.
No início da semana um dos líderes do acampamento denunciou que o grupo estava sofrendo ameaças de morte. Alguns deles chegaram a ser cercados numa estrada por ocupantes de uma caminhonete, que contra eles dispararam alguns tiros, sem acertar.
Manifestação - Vinte e um sem-terra foram encaminhados na manhã de ontem, em Curitiba, para postos de saúde com problemas respiratórios, diarréia e crises de hipertensão. A informação foi dada pelo enfermeiro Pedro Pedroso, que está acompanhando o estado de saúde dos trabalhadores rurais acampados em frente ao Palácio Iguaçu desde terça-feira. Foram feitas avaliações médicas em 51 crianças e cinco delas precisavam de tratamento. ‘‘Elas estavam com problemas respiratórios porque dormiam no chão’’, disse ele.
O trabalho dos enfermeiros da Secretaria Municipal de Saúde começou anteontem, quando 15 pacientes foram encaminhados para o Posto de Saúde 24 Horas do Boa Vista. ‘‘Não tivemos ainda casos identificados como graves, mas estamos fazendo uma triagem para que nenhum problema ou patologia seja agravada’’, afirmou Pedroso.
Para auxiliar o trabalho da secretaria, os sem-terra organizaram uma equipe de saúde, com cerca de 30 pessoas. A equipe é a responsável pela identificação das pessoas com problemas de saúde e pelos medicamentos. ‘‘Medicamos os casos mais simples, como dor de cabeça ou febre, os casos mais sérios são encaminhados para tratamento médico’’, argumentou ele. De acordo com ela, houve casos de aborto e de pneumonia entre os sem-terra. ‘‘Como ficaremos aqui por um longo período de tempo, temos que ficar alerta para evitarmos desgraças’’, afirmou.
Para estruturar o acampamento, os sem-terra deverão passar o dia de hoje fazendo a acomodação das famílias nas barracas e criando frentes de trabalho. Será nomeada uma comissão de educação e outra de infra-estrutura para acertar detalhes como estudo para as crianças durante o período em que permanecerem em Curitiba e horta para ajudar na alimentação.
Agilização - O secretário chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, disse ontem que ‘‘o Paraná tem terras suficientes para fazer a reforma agrária no Estado’’. Ele afirmou que será criado o Conselho Estadual de Reforma Agrária que deverá contar com representantes de diversos órgãos interessados na questão agrária para agilizar a solução.

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