Líder do MST diz que proposta do governo vai contra tudo o que o movimento reivindica
São Paulo, 10 (AE) - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Pernambuco, Jaime Amorim, disse hoje que o movimento teve acesso ao documento com as mudanças propostas pelo governo federal na condução da política fundiária e não concorda com seu teor: "É exatamente o contrário do que a gente vem reivindicando", disse.
Entre as mudanças, estaria a extinção do crédito de habitação, no valor de R$ 2,5 mil por família, estendido para a construção de casas nos assentamentos, com recursos orçamentários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "A intenção do governo é substituir esse crédito por uma linha de financiamento da Caixa Econômica Federal, com um teto de R$ 1,8 mil, dinheiro que não dá para construir uma casa", disse Amorim. "Queremos a ampliação do crédito para R$ 6 mil por família".
O documento revelaria ainda que o governo federal pretende manter ativos somente os assentamentos competitivos economicamente. "Não aceitamos a aplicação desse conceito neoliberal para a reforma agrária", disse Amorim. "Os assentamentos têm o objetivo, na maior parte do País, de resolver inicialmente o problema da fome".
O ministro Raul Jungmann afirma que houve o vazamento para os sem-terra de uma versão desatualizada do novo programa de reforma agrária. Ele acrescentou que a proposta do governo não está fechada e que suas linhas principais serão apresentadas aos movimentos sociais, sexta-feira, em reunião em Brasília. O MST informou que não participará do encontro. "Quem não vier vai perder legitimidade para a crítica", disse Jungmann.
O MST decidiu, hoje, desmobilizar os acampamentos montados em frente às sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em vários Estados. Segundo as lideranças não se trata de um recuo. "Vamos permanecer em vigília", disse Amorim, que admite uma mudança de estratégia do movimento na condução das negociações com o governo. Irritação - Irritados com a tentativa fracassada de reverter os cortes no orçamento para reforma agrária, em reunião realizada na última quarta-feira com o governo federal, os sem-terra decidiram isolar Jungmann e partir para outros canais de interlocução. "Não queremos mais subir no palanque do ministro", disse Amorim.
Segundo o líder do MST, o canal de diálogo permanece aberto apenas com os ministérios da Fazenda e da Agricultura. As questões pontuais serão tratadas no âmbito das superintendências regionais do Incra.





