''Há latifúndio suficiente no Paraná, sobretudo na região noroeste, para assentar todas as famílias sem terra do Estado.'' A afirmação é do presidente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, que esteve ontem na região de Londrina.
Ele se refere não só ao número de sem-terra já acampados, cerca de 14 mil famílias, mas a todas as famílias sem terra do estado, segundo ele, cerca de 180 mil. ''Segundo critérios do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), 1,8 milhão de hectares seriam necessários para todas essas famílias, e o Paraná tem mais do que isso. É uma vergonha existir no Estado fazendas do tamanho de municípios'', avaliou.
Para Stédile não é possível falar em ''onda de invasões'' no Paraná, já que, para ele, as ocupações de terra não dependem da vontade do MST. ''As ocupações ocorrem nas regiões onde há muitos latifúndios e muitas famílias sem terra'', disse. O presidente nacional do MST não teme violência por parte dos fazendeiros. ''Eles sempre utilizaram a violência para manter seus privilégios e latifúndios, mas a Constituição brasileira proíbe qualquer organização armada e cabe ao governo desarmá-los e prendê-los'', disse.
Stédile participou, ontem, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), da colheita simbólica de feijão no Assentamento Dorcelina Folador, que será doado ao programa federal Fome Zero (leia mais sobre este assunto na Folha Economia).
Ontem, dirigentes do MST, do departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), do programa Brasil Sem Fome e do programa municipal Fome Zero promoveram um debate para a discussão da Reforma Agrária e Fome. Roberto Baggio, coordenador estadual do MST, acredita que uma ampla reforma agrária é a principal medida para combater a fome, a miséria e o analfabetismo no país. ''É a principal alternativa para gerar trabalho no campo e produzir alimentos básicos para abastecer o mercado interno'', afirmou.

mockup