O dirigente do MST José Rainha Júnior disse ontem que ‘‘está decretado estado de ocupação’’ no país, por não acreditar que o programa de reforma agrária pelos Correios, implantado pelo governo, dê resultado. ‘‘A boiada vai estourar em abril. Vamos ocupar todas as terras’’, afirmou.
Num gesto de desafio ao governo, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) iniciou esta semana, na primeira mobilização nacional de 2001, inscrições em massa de acampados e desempregados da cidade no programa.
O movimento pretende, em 60 dias, fazer um balanço da proposta oficial. Se não for apresentado resultado, será desencadeada uma onda de invasões de terras e de prédios públicos a partir de abril, promete Rainha.
Segundo o dirigente João Paulo Oliveira, da coordenação nacional do MST, além de terras, poderão ser invadidas agências dos Correios, parceiro no programa. ‘‘O órgão competente hoje não é mais o Incra, mas os Correios.’’ As inscrições em massa, incentivadas pelo MST, começaram na segunda-feira e vão até sexta. Hoje, pelo menos 3.000 sem-terra lotaram as agências de seis cidades do Pontal do Paranapanema, no extremo oeste de São Paulo, numa mostra da ofensiva. Houve mobilização em vários pontos do país, segundo o MST -em Recife, houve protestos na segunda-feira.
Rainha disse não acreditar em ‘‘reforma agrária virtual’’. Com as ações, o MST diz querer ‘‘desmascarar o programa’’, lançado em outubro pelo ministro Raul Jungmann (Desenvolvimento Agrário) como forma de evitar irregularidades na intermediação de terra e crédito, como cobranças de pedágio.
‘‘Nosso objetivo é transformar essa mentira na desmoralização do ministro Jungmann. Esse programa é uma farsa’’, afirmou.
O presidente do Incra, Orlando Muniz, criticou a posição do MST. Disse que o movimento teria um papel ‘‘valoroso’’ se ajudasse a selecionar os candidatos, segundo os critérios do programa.

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