O coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Delwek Matheus, afirmou que haverá novas invasões de fazendas na região de Itararé, no sudoeste do Estado, qualquer que seja o resultado das vistorias que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) realiza na Fazenda Rio Verde. A propriedade permaneceu ocupada durante 23 dias por 600 famílias que pretendem ser assentadas nas terras.
Além dessa fazenda, de 3.800 hectares, o Incra fará vistorias em outras quatro na mesma região. ‘‘Se todas forem consideradas produtivas, escolhemos outra, ou mesmo uma delas, para entrar’’, disse. ‘‘Não vamos avisar nem o dia, nem a hora’’. Segundo Delweck, além das 320 famílias despejadas da Fazenda Rio Verde, há outras esperando a vez de participar de ocupações. ‘‘Nós estamos segurando o pessoal, mas se quisermos, dobramos o número de famílias acampadas em poucas horas’’.
Ele disse que o fato de o MST ter conseguido deslocar o Incra de Brasília para realizar vistorias na região estimulou a adesão ao movimento. Os técnicos do instituto apresentaram-se para a vistoria quando a fazenda ainda estava invadida, o que a lei veda. ‘‘Foi uma vitória do movimento’’, disse.
Delwek garantiu que as ocupações serão intensificadas, independente do resultado das vistorias, pois a região tem muitos latifúndios e uma grande população de bóias-frias. ‘‘Temos estrutura para fazer uma ocupação em menos de duas horas’’. Ele se referiu ao apoio recebido dos seis assentamentos do governo do Estado instalados na Fazenda Pirituba, entre Itapeva e Itararé. ‘‘Eles têm 80 tratores, 4 caminhões e 3 colhedoras para nos dar suporte’’.
Segundo ele, os estragos produzidos na Fazenda Rio Verde decorrem da própria ocupação. ‘‘Acomodar e alimentar mais de 300 famílias durante tanto tempo deixa mesmo algumas sequelas, principalmente quando a gente está sob a ameaça da polícia’’.
A juíza de Itararé, Elizabeth Kazuko Ashikawa, mandou ontem que oficiais de Justiça realizem diligências na Fazenda Rio Verde para verificar se a presença dos sem-terra acampados na estrada que corta a propriedade prejudica o trabalho de vistoria do Incra e a retomada da posse pelo proprietário Roberto Maschietto. O advogado do fazendeiro, Douglas Tomass, requereu a remoção dos sem-terra para fora dos limites da fazenda alegando que eles impediram a passagem de funcionários que consertariam cercas danificadas.
Ontem de manhã, peritos da Polícia Técnica fizeram um levantamento dos estragos feitos pelos sem terra, mas o valor do prejuízo não tinha sido calculado. O proprietário acredita que chega a R$ 1 milhão.

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