Um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná, Celso Anghinoni, afirmou ontem que vai entrar com processo civil e criminal contra o presidente da União Democrática Ruralista (UDR) do Paraná, Marcos Menezes Prochet pelas acusações feitas contra o MST em carta publicada na edição de ontem da Folha de Londrina/Folha do Paraná com o título Mortes no Campo. ‘‘Ele vai ter que provar tudo o que diz na carta. Principalmente porque ele é um dos suspeitos de estar por trás de tudo isso’’, acusa Anghinoni.
Segundo Anghinoni, a carta seria uma forma de ‘‘desviar a atenção dos fatos’’ para encobrir as ações da UDR que, segundo ele, estaria orquestrando a eliminação de todas as lideranças do movimento no Estado. Para ele, a morte de Tiãozinho (Sebastião Maia, 61 anos, membro do MST morto no último dia 21 de novembro) também foi orquestrada.
‘‘Ele fala sobre as mortes dos sem-terra e, principalmente, a morte de meu irmão (Eduardo Anghinoni, que tinha 30 anos e foi morto com três tiros, em março de 1999, no assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte) como brigas entre os integrantes do MST. Mas, no mesmo dia do crime, a UDR publicou nota me acusando e a outros companheiros de liderar ocupação em outro ponto. A nota comprova que os tiros não eram para ele e sim, para mim’’, disse o líder do MST.
Anghinoni afirma que os líderes no Noroeste vêm sendo ameaçados de morte pela UDR. De acordo com ele, um dos suspeitos de participação no assassinato de seu irmão, Ivo Lopes Furquim, está novamente na região. ‘‘O Borracha (Jair Firmino Borracha, acusado pelo assassinato de Eduardo Anghinoni) é defendido por advogados da UDR. O Ivo, que contrata jagunço, foi visto por aqui, procurando por nós’’, afirmou. Para ele, este fato e a publicação da carta de Prochet são sinais preocupantes. ‘‘Estão preparando algo contra nós.’’
O presidente da UDR disse ontem que não se preocupa com uma ação civil e criminal pelo MST. Prochet disse que a carta – com exceção da hipótese levantada pela morte de Eduardo Anghinoni – foi baseado em material divulgado pela imprensa.
De acordo com Marcos Menezes Prochet, a UDR não tem intenção de criminalizar o MST. ‘‘Para mim, ele já é um movimento criminoso. E comete crime quando invade fazendas’’, disse. O presidente nega que a intenção da carta tenha sido a desviar a atenção e que não existe nenhum ‘‘plano’’ para executar as lideranças do movimento. ‘‘Acusam a UDR mandar matar pessoas como se matar fosse uma coisa fácil. Se fosse um complô, como eles dizem, eu não andaria desarmado como faço. Mas quem têm a consciência tranquila como eu, não precisa disso’’, afirmou.

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