Phnom Penh, 07 (AE-REUTERS) O governo do primeiro- ministro cambojano, Hun Sen, anunciou hoje (07) que o líder da sanguinária guerrilha maoísta Khmer Vermelho, Ta Mok, capturado ontem, será julgado pelo crime de genocídio por um tribunal regular do Camboja, e não por uma corte internacional, como recomendou a Organização das Nações Unidas. Ele deve tornar-se o primeiro líder khmerista a comparecer a um tribunal. Em dezembro, depois de ter recebido de Hun Sen a garantia de que não seriam submetidos a julgamento, outros dois altos dirigentes do Khmer entregaram-se, Khieu Samphan e Nuon Chea.
Todos eles - Hun Sen, Ta Mok, Khieu Samphan e Nuon Chea - tomaram parte da ditadura imposta aos cambojanos pelo Khmer Vermelho de 1975 a 1979. Sob a liderança de Pol Pot, fundador da guerrilha, estima-se que o governo de fato foi o responsável pelo massacre de pelo menos 2 milhões de pessoas. Hun Sen apartou-se do grupo em 1977 e passou a combatê-lo. Pol Pot morreu - supostamente de ataque cardíaco - em seu esconderijo na selva em abril.
A captura de Ta Mok ocorreu um dia depois de o enviado da ONU para os Direitos Humanos no Camboja, Thomas Hammarber, ter-se reunido com integrantes de uma comissão internacional encarregada de formar um tribunal para julgar os líderes khmeristas presos. A posição de Phnom Penh em relação aos casos de Samphan e Chea é dúbia. Pol Pot defende que os dois sejam anistiados, mas sofre pressão da comunidade internacional para que os julgue. O rei do país, Sihanouk, também já anunciou que não firmará o decreto de anistia.
Organismos de direitos humanos acusam o governo de Pol Pot de apresentar ao mundo Ta Mok - conhecido como O Açougueiro - como "bode expiatório" dos crimes do Khmer. Com isso, aliviaria as pressões para que julgue os outros dois ex-guerrilheiros.

mockup