Líder do grupo é cidadão honorário
Curitiba - O gerente-geral das ONGs Associação Brasileira de Assistência a Pessoas com Câncer (Abrapec) e Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer (GAPC), jornalista e radialista Arnaldo Braz, de 60 anos, apontado pela polícia como líder da quadrilha que se utilizava das entidades para enriquecimento ilícito, é conhecido em vários municípios brasileiros. Em muitos deles, inclusive, é cidadão honorário. Em outros costuma fazer palestras ou defender, perante os vereadores, a condição de utilidade pública para as ONGs.
Provavelmente o último título outorgado a ele foi na Câmara Municipal de Ribeirão Preto (SP). No dia 16 de agosto o presidente da Casa, Silvio Martins, assinou o decreto legislativo em função da aprovação do requerimento de cidadania, apresentado pelo vereador Samuel Zanferdini, ''em reconhecimento ao seu trabalho de cunho social frente à Abrapec.
Para o delegado Marcus Vinícius Michelotto, da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas do Paraná, responsável pelas investigações, os funcionários das ONGs tinham grande preocupação em manter limpa a imagem de Braz, que atuava como uma espécie de ''embaixador'' das entidades. ''Ele era a bandeira das ONGs'', acentuou. Por isso, a parte administrativa e contábil foi entregue a seu irmão, Waldemar Braz, de 57 anos, também preso em São Paulo.
Além de residências em São Paulo, Arnaldo tem um apartamento em Maringá. Com ele foram apreendidos uma Ford Ranger e um Honda Fit. Em reportagens disponíveis na internet, ele diz que fundou o grupo depois de ver a dor de amigos e familiares que tinham dificuldade para manter o tratamento de câncer.
Segundo ele, a iniciativa de criá-lo cresceu em 2001, em São José dos Campos (SP), onde a entidade nasceu. Ele se declara espiritualista e, de acordo com a polícia, também gerencia o Templo Espiritual Maria Santíssima, que tem sedes em São Paulo e Curitiba.





