Brasília, 26 (AE) - O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), reagiu hoje às declarações do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), segundo o qual o Legislativo deveria dar uma pronta resposta às denúncias de favorecimento de um consórcio, pelo Executivo, no processo de privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás). Virgílio Neto disse que a resposta mais incisiva que o Congresso pode dar às denúncias é "dizer não a essa aventura da CPI (comissão parlamentar de inquéritoa) e dizer não a essa coisa esdrúxula que é o impeachment (do presidente Fernando Henrique Cardoso)". O pedido foi apresentado pelos líderes dos partidos de oposição. Itamar cobrou do Congresso uma ação firme para garantir o Estado democrático e a estabilidade institucional. "Eu respeito o governador de Minas quando ele fala em instabilidade porque ele é um faixa-preta nesse assunto, pois foi ele quem convidou o (hoje) presidente Fernando Henrique Cardoso para ser seu ministro da Fazenda quando seu (de Itamar) governo estava se dissolvendo", ironizou Virgílio Neto. Itamar respondeu hoje às declarações do ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, segundo as quais a última denúncia contra Fernando Henrique é "café requentado". "Sim, sr. ministro, é café requentado, mas é café", afirmou Itamar, em discurso a cerca de 200 advogados na sede da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo (Caasp). Na palestra, Itamar criticou a política econômica, que considerou "desastrosa", e as privatizações, particularmente a da empresa Furnas Centrais Elétricas. "Hoje, ve-se que os setores estratégicos para a economia nacional passaram ao setor privado, notadamente estrangeiro, sem que disso resultasse qualquer benefício, seja para o equilibrio das contas públicas seja para o crescimento econômico", observou.

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