Brasília, 09 (AE) - O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), confirmou a decisão política do presidente Fernando Henrique Cardoso de garantir a instalação da fábrica da Ford na Bahia, mas recusou-se a admitir que a decisão foi tomada para evitar uma nova crise política, desta vez com o aliado mais influente do governo, o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Segundo Virgílio, a decisão foi estratégica: tornar viável um pólo automotivo no Nordeste e garantir a Fernando Henrique a paternidade da descentralização da economia, reivindicação recorrente dos governadores dos Estados do Nordeste. "É importante, sendo ele um homem que fez política em São Paulo, descentralizar o pólo automotivo."
O líder do governo também rebateu a cobrança de adversários e aliados ao presidente, que qualificavam o veto à MP como um gesto de firmeza de Fernando Henrique diante dos partidos da sustentação. "Um presidente fraco teria de tomar decisão para mostrar que tem força sobre o ACM", ponderou Arthur Virgílio. "Mas um presidente forte toma a decisão justa e uma fábrica na Bahia descentraliza o pólo automotivo e gera empregos."
Ele confirmou que assessores da Casa Civil acompanharam a negociação para a aprovação da emenda na MP pouco antes do recesso parlamentar e que não houve orientação contrária do governo à sua aprovação. "Não ligaram o sinal amarelo", comentou.

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