Brasília, 06 (AE) - O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), fez críticas hoje ao neoliberalismo e reconheceu que a atuação do governo federal na área social foi falha. "Chegou o momento em que é preciso questionar o que estamos fazendo porque o neoliberalismo está falindo no mundo inteiro." Apesar do tom de recriminação, o líder disse não se tratar de uma autocrítica do Palácio do Planalto: " É apenas uma questão de momento; nos anos passados, era o momento de cuidar da estabilidade, e agora é o momento de se resgatar a dívida social."
"O projeto de ACM tem a coragem de dizer que a ação social do governo não é suficiente para vencer o problema", disse, garantindo que a proposta do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de criar um fundo para a erradicação da pobreza, não será combatida pelo governo. Ele reconheceu que o Poder Legislativo está estabelecendo uma pauta de trabalhos paralela a que os líderes governistas estão apresentando, mas disse que isso não compromete os planos do governo na Câmara e no Senado neste segundo semestre. "Não existe dicotomia entre os objetivos do Congresso e do governo; o projeto de ACM é absolutamente compatível com a agenda que o presidente Fernando Henrique Cardoso está propondo", afirmou Arruda.
A proposta de ACM tem boas chances de mobilizar o segundo semestre no Senado , já que a agenda de prioridades do governo é pequena. Este mês, Arruda disse que a base será mobilizada apenas para a aprovação de uma emenda constitucional que estrutura o Ministério da Defesa e para o projeto de lei que cria a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Para o próximo mês, a base governista deve votar um projeto instituindo a política nacional de turismo. São todas matérias já votadas pela Câmara que devem apenas ser referendadas pelo Senado.
Reforma política - Ainda não há definição por parte do governo sobre como deverá ser tratada a reforma política, que está tramitando no Senado. Para o líder do governo no Senado, é natural que o Congresso estabeleça uma pauta de prioridades distinta da do governo neste momento. "Estamos em um momento difícil; os parlamentares estão acabando de voltar de suas bases e recolheram um sentimento de insatisfação popular", afirmou, acrescentando que "é natural, portanto, que ele proponha medidas".
Para o senador, o governo e a base aliada no Congresso "estão vivendo uma freada de arrumação, porque existem problemas a serem resolvidos", disse. De acordo com Arruda, a raiz destes problemas está no ajuste fiscal, que diminuiu a capacidade do governo de atender ao pedido de aliados por investimentos. "É mais difícil administrar a escassez do que a abundância."

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