Líder do ELK pede fim de violência contra sérvios
Pristina, 02 (AE-AP) - O líder dos ex-combatentes anti-sérvios de Kosovo pediu nesta quinta-feira (02) o fim da vingança contra os cidadãos sérvios e chamou-os de volta à província iugoslava, em meio a notícias de novas evidências de atrocidades cometidas em Kosovo - uma vala comum encontrada recentemente.
Uma aliado radical do presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, prometeu outro tipo de retorno sérvio - das forças que combatiam os soldados albaneses étnicos do Exército de Libertação de Kosovo (ELK) até a retirada de Milosevic, obtida em troca do fim dos bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a Iugoslávia.
Refletindo a continuidade das tensões entre sérvios e albaneses, cidadãos sérvios irados exigem proteção da Otan contra seus vizinhos albaneses e protestaram devido ao desaparecimento de um deles fechando uma importante via nas proximidades de Gracanica, ao sul de Pristina, após ameaçarem seis pessoas.
Ao sair de uma reunião em Londres com o secretário de Relações Exteriores britânico Robin Cook, o líder do ELK Hashim Thaci apelou aos sérvios de Kosovo para retornarem "porque estamos interessados em estabelecer em Kosovo uma sociedade multi-étnica".
Seus comentários certamente seriam ignorados pelos sérvios de Kosovo e outras localidades. Eles culpam o ELK pela onda de violência anti-sérvia desde que os soldados de Milosevic deixaram a província em junho como parte de um acordo de paz.
A maioria da população sérvia de Kosovo antes da guerra - cerca de 200.000 pessoas - fugiu desde então, em meio a dezenas de assassinatos, sequestros e outros tipos de violência dirigidas contra eles para vingar as mortes de mais de 10.000 albaneses étnicos durante a ofensiva de 18 meses feita pelas forças de Milosevic.
Cook anunciou que soldados britânicos desenterraram os corpos de 50 vítimas de outra vala comum no sudoeste de Kosovo. O secretário de Exterior não forneceu detalhes além de dizer que os 50 corpos foram encontrados enterrados em um depósito de lixo em Ljubizda, vilarejo localizado a sudoeste de Pristina.
Em um campo próximo a Ljubizda, um plástico azul cobria o que pareciam ser roupas que cheiravam a carne em decomposição. O plástico era ancorado por pedras pesadas e montes de terra.
Um fêmur humano estva esposto em outro buraco próximo. Um sapato infantil e muitas garrafas de plástico estavam espalhadas pelo local.
Nenhum soldado internacional nem especialistas forenses estrangeiros estavam perto. Mas um fazendeiro local, Abedin Ademi, disse a jornalistas que as valas continham os corpos de albaneses étnicos mortos em abril por forças sérvias.





