Líder do CDU admite ter mantido 2º encontro com Schreiber
Berlim, 31 (AE-AP) - O presidente da União Democrata-Cristã (CDU), Wolfang Schaeuble, admitiu hoje (31) ter mantido um segundo encontro com o comerciante de armas alemão-canadense Karlheinz Schreiber, uma das testemunhas-chave do escândalo das contas secretas criadas pelo ex-chanceler Helmut Kohl para receber "doações políticas" não declaradas.
Segundo um porta-voz da bancada democrata-cristã no Parlamento alemão, Schaeuble, ao fazer uma revisão em sua agenda pessoal, descobriu que, além do encontro de setembro de 1994, quando recebeu "doação" de 100 mil marcos (US$ 50 mil), reuniu-se em outra ocasião com o comerciante. "Schaeuble notou que recebeu Schreiber também em 2 de junho de 1995."
Ao confessar em dezembro ter também violado a lei de financiamento dos partidos, o atual presidente da CDU pediu perdão por não ter declarado os US$ 50 mil que aplicou em campanha política. E, na ocasião, assegurou ter visto o comerciante de armas apenas uma vez.
O porta-voz não quis fazer comentários sobre as implicações políticas e judiciais da nova versão de Schaeuble sobre suas ligações com Schreiber. Limitou-se a dizer o presidente não se lembra dos motivos da segunda reunião com o comerciante, que está detido em Toronto (Canadá), aguardando o desfecho de um processo de extradição aberto a pedido da Justiça alemã.
O comerciante confessou ter pago comissão de US$ 500 mil a Kohl e à CDU para facilitar a venda de tanques e blindados alemães para a Arábia Saudita, em 1990, durante a Guerra do Golfo. Por sua vez, o chanceler social-democrata, Gerhard Schroeder, rechaçou pedido da CDU para que force o presidente social-democrata, Johannes Rau, a renunciar por suposto envolvimento no chamado escândalo das viagens - uso de recursos do Estado em vôos privados.





