Líder diz que motivo do assalto foi desemprego
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 22 (AE) - O assaltante Luciano Fernandes Cordeiro, de 27 anos, culpou hoje a situação financeira vivida por ele e seus companheiros, que não conseguem encontrar emprego
pelo assalto seguido de sequestro em Bocaiúva do Sul. Com segundo grau completo e afirmando já ter trabalhado como digitador, ele contou que tem nove irmãos e mora no bairro Sítio Cercado, em Curitiba.
Ele negou, mas a polícia suspeita de que participou de um assalto a mão armada em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Cordeiro foi o único a conversar com a imprensa hoje, ao ser apresentado no Presídio Provisório do Ahú, em Curitiba. Agência Estado - Como surgiu a idéia de fazer o assalto? E por que manter os reféns? Luciano Fernandes Cordeiro - A idéia era só pegar o dinheiro do banco e ir embora para casa ajudar a família. Vocês podem ir pessoalmente lá e verificar como está a situação (da família). AE- Você tem filhos? Cordeiro - Não. AE - Por que decidiu entrar nesse assalto? Cordeiro - A situação financeira, não tenho dinheiro, estou precisando. Estou desempregado, meu pai está lá, com derrame cerebral. Meu amigo, esse que morreu, tem cinco filhos pequenos, o mais velho com seis anos, e também estava desempregado. Para falar a verdade, se estivesse nessa situação, sem trabalho, eu faria de novo. AE -Há quanto tempo está desempregado? Cordeiro - Há mais de um ano. AE - O que sentiu quando o assalto deu errado e você tinha nas mãos as crianças e aquela mulher? Cordeiro - Eu não queria fazer nada com elas. Elas podem afirmar que a arma que eu usava não tinha bala. Se tinha bala eu não usava. Em momento algum usei arma com bala e a moça mesmo verificava. Ela mesma mandava eu colocar a arma nela para eles não atirarem em mim. Pode perguntar para ela. Ela mesma chegou a colocar a arma para eles não atirarem em mim. AE- Mas vocês passaram a noite toda fazendo ameaças. Cordeiro - Aquilo não era sério. Se fosse, a gente teria concluído. A gente só queria ir embora. AE - Você chegou a ficar com medo em razão da situação que se criou? Cordeiro - Não. Medo de invadir? Eu sabia que eles não iam invadir. AE - Você imaginava que fosse terminar assim o sequestro? Cordeiro - Que sequestro? Com certeza não foi sequestro. Eu não pedi nada em troca. Queria apenas a minha liberdade. Apenas pedi para eles deixarem a gente sair. AE Valeu a pena ter feito tudo isso? Cordeiro - Perdi hoje. AE - Perdeu a liberdade? Cordeiro - Perdi em todos os sentidos. AE - Você está arrependido pelo que fez? Cordeiro - Eu sinto por acabar assim. Deixar filhos menores passar fome, jamais. AE - Por que vocês decidiram se entregar? Cordeiro -Aceitamos a garantia que a polícia deu e eu resolvi. AE - Já pensou em como será sua vida de agora em diante? Cordeiro - Vamos esperar para ver no que o sistema me transforma a partir de hoje. AE -Como será solucionado o problema financeiro, agora que você está preso? Cordeiro - Deus, talvez. Um dia... Deus... Se eles não me judiarem muito.


