O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Brasília, Gilberto Portes, classificou de ‘‘mais um factóide’’ de Jungmann o desafio que fez para o movimento abrir sua ‘‘caixa preta’’ e explicar a origem do dinheiro dos sem-terra. ‘‘Quem deve entender de caixa preta é Jungmann, que vivia passeando em aviões da FAB’’, ironizou Portes, ao garantir que o MST não irá abrir suas contas. Segundo ele, o MST é ‘‘transparente’’ e, por isso, não vai aceitar o desafio do ministro.
‘‘O caso dele (Jungmann) é de psiquiatria’’, disse Portes, sugerindo a internação do ministro. Ele confirmou que o MST está preparando uma ofensiva contra o governo. ‘‘E tudo que acontecer, o único responsável será o ministro Jungmann’’, avisou Portes. O MST poderá ocupar bancos e sede do Incra.
Segundo Portes, a intenção de Jungmann ao lançar o desafio é ‘‘desviar a atenção para as questões graves da reforma agrária’’. Ele voltou, ainda, a acusar o governo de tentar ‘‘criminalizar’’ o MST com a divulgação de auditorias sobre desvios de créditos da reforma agrária.
Na segunda-feira, o MST pedirá audiência ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, e ao ministro da Justiça, José Gregori, para pedir explicações sobre as denúncias.
Integrantes do Fórum Nacional pela Reforma Agrária, do qual o MST faz parte, divulgou ontem nota condenando a postura do governo em relação aos sem-terra. No documento, o fórum denuncia que o governo, ‘‘ tenta criminalizar a luta pela terra, especialmente o MST, tornando a questão em caso de polícia’’. (A.E.)

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