Líder de sem-terra denuncia violência em despejo no Oeste
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O MST do Paraná denunciou ontem em Cascavel violência da Polícia Militar (PM), quinta-feira, durante o despejo de aproximadamente 150 pessoas que haviam invadido uma área comum a três fazendas, no município de Catanduvas (50 quilômetros ao sul de Cascavel). Foram apresentados alguns sem-terra que dizem ter sofrido agressões físicas e morais, um deles, Antonio Ferro, 37 anos, com bandagem no braço, atingido por uma bala de borracha disparada por um policial.
A maior parte das denúncias foi feita pela advogada Cristiane de Lima Martins, integrante da Rede Nacional de Advogados Populares, que atuou a favor de entidades de trabalhadores e direitos humanos. Cristiane disse que a violência não foi relatada imediatamente após a ação da PM porque estava sendo tentada a obtenção de exames das vítimas no Instituto Médico Legal de Cascavel, o que não foi conseguido até ontem, apesar da solicitação do delegado de Catanduvas, Celso Chise.
O MST tentou providenciar os exames para cinco homens, que juntamente com a maioria dos demais (aproximadamente 95), foram algemados durante a ação da PM. Fomos deitados no chão, nos pisotearam e deram chutes, disse José Wilson de Souza, 36 anos. A advogada Cristiane de Lima Martins acrescentou que os mais violentos foram policiais encapuzados, que saíram do local antes de clarear o dia. Além disto, ela aponta que a PM agiu por volta das 4h30, quando só é permitido a reintegração após as 6 horas, sob a luz do dia.
Lucimara de Andrade, 19 anos, uma das coordenadoras do acampamento, disse que pelo menos 20 sem-terra sofreram violência. Na quinta-feira, quando estava presa em Catanduvas com outras sete pessoas do acampamento, ela havia dito à Folha de Londrina/Folha do Paraná não ter presenciado atos de maior violência, exceção do caso de Antonio Ferro. Lucimara manteve ontem a versão, mas salientou que o fato de eu não ter visto não significa que não ocorreu.
Outras contestações referem-se à ausência de apresentação, por oficial de Justiça, de termo judicial informando que seria procedida a reintegração de posse, destruição de pertences pessoais dos sem-terra e de bandeiras e bonés do MST, e as próprias prisões em flagrante, o que não cabe no caso de esbulho possessório, segundo a advogada. Ela tentará habeas-corpus para Carlos Morinigo, 26 anos, que permanece preso, sob alegação de que não tem domicílio fixo.
A advogada disse que será formalizada representação na Justiça, contra o capitão Celso Borges, do 6º BPM de Cascavel, que comandou a ação. O major Avelino Novakoski assegura que a reintegração foi feita com sucesso, sem uso de violência, e que alguns sem-terra se feriram em espinhos ao tentar fugir do acampamento. O próprio governador Jaime Lerner (PFL), que esteve sábado em Cascavel, salientou que ação transcorreu sem maiores incidentes, com respeito aos direitos humanos.





