Líder de camelôs é enterrado em Goianinha18/Mar, 12:52 Por Juliano de Souza (especial para a AE) Goianinha, RN, 18 (AE) - O corpo do presidente da Associação dos Distribuidores de Coco Verde de São Paulo, Gilberto Monteiro da Silva, camelô, assassinado na quinta-feira (16), em São Paulo, foi sepultado no Cemitério Municipal de Goianinha, a 70 quilômetros de Natal. O sepultamento, ocorrido às 10h30, reuniu pouco mais de 250 pessoas, a maioria sem querer comentar o assassinato. Maria de Fátima Monteiro, mulher do camelô passou a noite inteira no velório, mas não compareceu ao cemitério, pois sentiu-se mal no início da manhã. Com muito medo, pouca gente comentou a morte de Monteiro. Não houve nenhum discurso em homenagem a ele e, ao fim do enterro, ouviram-se palmas e um coro pedindo justiça. O padre Armando de Paiva, de 70 anos, lembrou que Monteiro esteve na cidade, pela última vez, em outubro de 1997, quando veio assistir ao enterro do camelô João Maria Avelino, também assassinado em São Paulo. "Eu não sabia das ameaças que Gilberto Monteiro vinha sofrendo, e soube de sua morte através da imprensa; na juventude ele tinha um grande trabalho com os jovens de Goianinha." Gilvaneide Lima da Silva, de 36 anos, que integrava o grupo de jovens que Monteiro coordenava, entre os anos 70 e 80, lembrou que ele, no último contato que fez, não falou em ameaças nem demonstrou medo. À família, em Goianinha, Gilberto Monteiro dizia que era "o chefe dos camelôs" em São Paulo. O camelô, além da mulher, deixou um filho, Mateus, de 4 anos.