Líder de ambulantes acusa funcionários de secretário
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 1999
Por Alceu Luís Castilho 
São Paulo, 27 (AE) - O diretor da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo, José Antônio Fernandes, o Alemão, acusou hoje dois funcionários do gabinete do secretário Alfredo Mário Savelli, das Vias Públicas, então na Secretaria das Administrações Regionais (SAR), de exigir R$ 1,2 mil de cada camelô para que eles não fossem transferidos para os bolsões de comércio ambulante criados pela Prefeitura. O depoimento foi dado na Divisão de Registros Diversos, que investiga a máfia dos fiscais. Os nomes desses funcionários seriam Sandra e Fernando.
Outros depoimentos dados ao delegado Tuma Júnior ligam Savelli ao presidente da Associação dos Comerciantes do Brás, Wehbe Dawalibi, o Jô, que teve a prisão temporária decretada e ainda não se apresentou. O secretário disse hoje que faz questão de prestar depoimento na segunda, para negar as acusações. "Conheço o Jô como representante de lojistas, mas nem sei seu nome completo."
Tuma Júnior disse que vai ouvir todas as pessoas citadas. "No mínimo por direito de defesa."Além de Alemão, outras três pessoas estavam para ser ouvidas hoje à noite sobre a participação de funcionários da SAR em "caixinhas".
Savelli confirmou que havia uma assistente social de nome Sandra em seu gabinete, mas disse que Fernando é um engenheiro da Administração Regional da Sé. "Duvido muito que tenha acontecido alguma coisa." Ele disse que depoimento de Alemão não deve ser levado muito em conta. "É um descontrolado."
Viaduto - O presidente da Associação dos Camelôs Independentes, Gilberto Monteiro da Silva, de 36 anos, conhecido como o "dono do Viaduto Santa Ifigênia", revelou o esquema de arrecadação de propina dos ambulantes no local, que rende cerca de R$ 30 mil por mês. Segundo ele, o dinheiro arrecadado na rua era entregue no gabinete, em envelopes, por diversas pessoas, a um assessor do vereador e deputado eleito Hanna Garib (PPB), cujo nome ele pede para não ser revelado. Silva teve a prisão temporária de cinco dias decretada segunda-feira e foi detido na terça. Ele é acusado de concussão e formação de quadrilha.
A propina também poderia ser levada por esse assessor diretamente ao gabinete. Cada um entregava R$ 700,00 por semana. Desse total, R$ 200,00 seriam para a gasolina gasta pelo assessor.
Na apreensão feita na sede da associação, foram encontrados dois cartões desse assessor. Eles pediam indiretamente vaga para ambulantes no viaduto. O auxiliar de Garib, segundo Silva, sempre deixou claro que, se o dinheiro não chegasse, o presidente da associação "perderia" o viaduto. "O assessor ligava e dizia que o homem (o vereador) era poderoso e se eu não mandasse o dinheiro teria de sair", disse Silva.
Dos R$ 30 mil arrecadados dos 226 ambulantes que ocupam o Viaduto Santa Ifigênia, R$ 10 mil iriam para o seu bolso, R$ 5 mil seriam destinados aos serviços de segurança e limpeza prestados pela associação para os ambulantes do local e os R$ 15 mil restantes seriam para pagar propina. Os camelôs desembolsam de R$ 25,00 a R$ 35,00 por semana.
Pierre Salloum El Nanhoum - que foi funcionário da Administração Regional da Sé até 1997, atuou na campanha de Garib e estava com ele no dia da apuração do resultado no Tribunal Regional Eleitoral - receberia de R$ 1 mil a R$ 2 mil semanais.
O esquema é tão organizado que só entra ou sai do viaduto quem Silva quer. Há seguranças que avisam pelo rádio quem pode ficar e quem deve sair. O equipamento serve também para captar e repassar informações da regional da Sé sobre o rapa. Silva foi preso na terça-feira. Seu nome foi citado em diversos depoimentos do inquérito da Santa Ifigênia.
Hanna Garib negou ontem partipação no esquema de propinas de Santa Ifigênia. Disse que conhece o presidente da associação só "de vista". "Falar na delegacia é muito fácil, quero ver como vai ser na Justiça", disse o deputado eleito. "Estou processando todos os que estão dizendo essas mentiras."
Afonso José da Silva, líder dos camelôs no Brás, não reconheceu Marcelo Henrique da Silva Bento como a pessoa que disparou quatro tiros contra ele no dia 20, no Brás. Preso ontem
Bento foi levado hoje à Santa Casa de Misericórdia, onde Afonso está internado.


