Brasília, 21 (AE) - O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapf), Jorge Venerando de Lima, afirmou hoje que o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Agílio Monteiro Filho, "está na contramão da história", ao tomar conhecimento da defesa que ele fez ontem (20) do projeto que permite aos agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) andar armados.
Além de defender o projeto, Monteiro Filho negou supostas divergências da PF com o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, dirigido pelo general Alberto Cardoso, e com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Abin e Senad são órgãos subordinados a Cardoso.
Segundo ele, o diretor da PF está contra os policiais federais, que, na semana passada, formalizaram um manifesto de repúdio à proposta do governo em favor da Abin.
Dentro da PF, a maior reação ao projeto vem da Fenapf, entidade que congrega 10 mil policiais em todo o País. Na semana passada, os representantes dos policiais federais de todos Estados encontraram-se em Brasília e aprovaram, por unanimidade, uma moção de protestos contra o projeto de lei, em tramitação no Senado. Para a Fenapf, quem trabalha com inteligência não deve usar arma.
Para Lima, o uso de arma por agentes da Abin até seria justificável apenas no caso daqueles que fazem a segurança pessoal do presidente da República. "Nos demais casos, se eles (os agentes) quiserem ser polícia, que façam o concurso", sugere o presidente da Fenapf. Lima avalia que a concessão de porte aos integrantes da Abin seria a militarização do serviço de inteligência da Presidência da República, o que, na opinião dele, não tem sentido num regime democrático.
Apesar das várias tentativas feitas, a reportagem não conseguiu ouvir o diretor-geral da PF para comentar as declarações Lima. A Assessoria de Imprensa de Monteiro Filho informou ele viajou pela manhã para Manaus. Até o celular da assessora de Imprensa, que viajou com Monteiro, permaneceu desligado durante o dia.

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