Belo Horizonte, 14 (AE) - O líder da greve dos policiais militares de Minas Gerais em 1997, cabo Júlio César Gomes, foi hoje para João Pessoa levar a "experiência" aos colegas paraíbanos, que estão em paralisação desde quinta-feira (09). Hoje deputado federal pelo PL, Gomes pretende intermediar o diálogo entre os PMs grevistas e o governo da Paraíba. "A situação hoje é muito diferente da época da greve em Minas", disse. "É muito mais complicado levar uma greve à frente." Em junho de 1997, os praças mineiros rebelaram-se depois que o governo estadual concedeu aumento salarial apenas para os oficiais. No movimento, que inspirou manifestações dos policiais também de outros Estados, um praça foi morto. A paralisação só foi encerrada depois que o ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) concedeu reajuste superior a 40% para soldados e sargentos.
"A greve de Minas não foi um movimento programado, foi uma explosão para qual o governo não estava preparado", avaliou Gomes. "Hoje, todos os governos de Estado estão preparados para enfrentar essa situação." De acordo com ele, as condições salariais dos PMs da Paraíba são críticas, com soldados ganhando cerca de 250 reais e oficiais em fim de carreira recebendo pouco mais de 500 reais. "Mas o melhor caminho é a parlamentação", afirmou. "Hoje, a corporação está representada por um deputado federal e por deputados estaduais." O cabo-deputado não é o único líder dos PMs mineiros a dar assessoria em João Pessoa. O diretor da Associação de Tenentes e Subtenentes de Minas Gerais, sargento Waldivino Braga, foi levar os conselhos. Ele sugeriu que os familiares dos policiais paraibanos ajudassem a sitiar o Palácio da Redenção, sede do governo, e recomendou que os grevistas não usem armas durante as manifestações.

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