Líder critica medida e o governo de FHC
Giovani Ferreira
De Curitiba
A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná entende que a diminuição dos recursos compromete todo o programa nacional de reforma agrária. Roberto Baggio, coordenador estadual do MST, lembrou que os investimentos do governo federal no setor vêm diminuindo gradativamente desde o início da gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com Baggio, em 1995 a meta era de assentar 100 mil famílias em todo o País.
Este ano a promessa era de 80 mil e para os próximos três anos de 70 mil. Segundo Baggio, desde 95 nenhuma meta foi cumprida e com a redução dos investimentos isso deve ficar ainda mais difícil. Não acreditamos que desse governo possa se esperar mais alguma coisa, disse o militante, entendendo que ao movimento, diante desse quadro, só resta a intensificação das lutas sociais.
Baggio toma como exemplo de descaso a situação do Paraná, onde a promessa dos governos federal e estadual é de assentar quatro mil famílias até o final deste ano. No entanto, até o momento foram assentadas apenas 400 famílias, estabelecendo uma média de 50 famílias por mês. Na avaliação de Baggio, esses números mostram que se torna praticamente impossível que seja cumprida a meta de quatro mil famílias.
Se o governo já não vinha cumprindo nem mesmo as metas que estabelecia, com a diminuição dos investimentos o drama da terra deve ser ainda pior. Em todo o Brasil existem 102 famílias acampadas esperando pelo assentamento. Somente no Paraná, conforme números do MST, são nove mil famílias aguardando para serem assentadas.





