Brasília, 24 (AE) - O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), disse há pouco que os produtores rurais já estão percebendo os efeitos das medidas tomadas na semana passada, pelo governo, para "minimizar os problemas da agricultura". Segundo ele, os funcionários do Banco do Brasil já estão chamando os agricultores para renegociar suas dívidas e oferecer crédito para a safra deste ano. Esse, segundo Madeira, será um dos argumentos utilizados pelos líderes governistas para convencer suas bases a votar contra o projeto de renegociação das dívidas dos produtores rurais. Os outros argumentos, segundo o líder, serão a inconstitucionalidade do projeto e a decisão do governo de vetá-lo, caso seja aprovado como está.
Arnaldo Madeira advertiu para o fato de que esse impasse em torno da renegociação das dívidas dos agricultores poderá trazer de volta a discussão sobre a privatização do Banco do Brasil. Segundo ele, alguns segmentos já estão questionando eficiência dos bancos públicos na administração de créditos, enquanto outros estão questionando também as dificuldades para se conceder crédito ao setor agrícola. "Algumas pessoas estão questionando a inadequação do setor público nessa área", afirmou o líder. "Os que defendem a privatização podem voltar com a tese", acrescentou.
MARCHA - O líder do governo na Câmara disse que o governo está tranquilo em relação a "Marcha dos Cem Mil" marcada para quinta-feira, até porque, segundo ele, os próprios dirigentes do movimento estão preocupados em manter a manifestação nos parâmetros democráticos. Madeira observou que os moderados da oposição estão cedendo aos radicais, em relação a teses antidemocráticas. "Não tem problema nenhum. Eles vêm, fazem sua manifestação, vão embora e a vida volta à normalidade", afirmou o líder.
Madeira informou que haverá uma reunião às 14h30 entre o secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira e os deputados Germano Rigotto (PMDB-RS) e Antônio Kandir (PSDB-SP), respectivamente presidente e vice-presidente da comissão que discute a emenda de reforma tributária. A reunião, segundo Madeira, será para encontrar um encaminhamento para viabilizar a votação da proposta ainda este ano. Segundo o líder, o governo está empenhado nessa votação, mas admitiu que estão surgindo problemas em relação a proposta do relator, Mussa Demes (PFL-PI), principalmente entre prefeitos e governadores.

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