Lição de cidadania
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de março de 2001
Fabiana Klein De Curitiba 
Um dos maiores exemplos de trabalho voluntário reconhecido mundialmente é o da médica pediatra Zilda Arns, uma das fundadoras e coordenadora da Pastoral da Criança, que foi indicada oficialmente pelo governo brasileiro ao Prêmio Nobel da Paz de 2001. A Pastoral conta hoje com a colaboração de 145 mil voluntárias, que acompanham aproximadamente 1,5 milhão de crianças e 76 mil mulheres grávidas, em mais de três mil municípios. Zilda acredita que a indicação do trabalho para o Nobel da Paz deverá aumentar ainda mais o número de voluntários e abranger mais países.
Com 17 anos de existência, a Pastoral está presente em três países da África e sete da América Latina. Nessas áreas, a mortalidade infantil caiu para quase um terço. Graças ao trabalho da entidade, que auxilia no apoio a gestantes, aleitamento materno, nutrição, vacinação, controle de doenças diarréicas, respiratórias e sexualmente transmissíveis, além da prevenção de acidentes domésticos, a mortalidade infantil nas regiões brasileiras onde atua está entre 12 e 17 mortes no primeiro ano de vida para cada mil nascidos vivos cerca de metade da média nacional.
Em janeiro deste ano, aos 66 anos, Zilda Arns começou a trilhar mais uma longa jornada contra a mortalidade precoce. Desta vez no Timor Leste, na Ásia, um dos países mais pobres do mundo. Zilda integrou a comitiva que acompanhou o presidente Fernando Henrique Cardoso a sete países asiáticos, dando início à implantação da Pastoral da Criança. Se tudo der certo, em seis meses já poderemos ter boas notícias com esse trabalho, diz Zilda.
Dedicar minha vida à área da saúde, especialmente ao trabalho materno-infantil foi a forma que encontrei para realizar meus sonhos como médica, mulher e cidadã, explica a catarinense de Forquilhinha.


