Libertado filho de ex-prefeito de Cubatão
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Por José Rodrigues 
Cubatão, SP, 27 (AE) - Terminou na madrugada de hoje o sequestro do advogado e estudante de jornalismo, José Oswaldo Passarelli Jr, de 31 anos, filho da deputada estadual Cecília Passarelli (PFL) e do ex-prefeito de Cubatão, José Oswaldo Passarelli. Ele foi levado no dia 15 e teria sido libertado quando o sequestrador ouviu tiros perto do cativeiro, em uma favela de Vicente de Carvalho, distrito do Guarujá, no litoral paulista. Assustado, o sequestrador teria apagado as luzes e mandado Passarelli Jr. fugir.
Os sequestradores fizeram vários contatos com a família, que nega ter pago resgate. Hoje Passarelli Jr. prestou depoimento na Delegacia de Investigações Gerais (DIG), em Santos, e no início da tarde deu entrevista coletiva. "Nem acreditei quando o homem que me prendia disse: a polícia está aí, se manda". Ele teria apagado a luz do barraco e permitido que o advogado tirasse o capuz. "Saí sem saber onde estava e pouco depois estava na beira de uma linha de trem, quando fui abordado por dois seguranças da Guarda Portuária".
O advogado se identificou e foi para a Delegacia de Vicente Carvalho. Mais tarde os policiais encontraram o cativeiro, um barraco na favela de Conceiçãozinha, perto do terminal de contêineres. "Foi então que soube que os policiais estavam numa operação atrás de um táxi roubado e houve troca de tiros, o que assustou o sequestrador", disse Passarelli Jr.
Acorrentado - O estudante contou que chegava em sua casa no dia 15, por volta das 12h20, quando alguém apontou um revólver para suas costas e o mandou entrar no carro. "Quando estava sendo encapuzado, ele me perguntou se sabia o que estava acontecendo."Depois disso foi colocado no porta-malas e ficou oito dias num cativeiro, que presume ser na capital ou na Grande São Paulo.
"No começo, ficava acorrentado pelos pés e pelas mãos, mas depois eles foram relaxando", revelou o advogado. Ele recebia autorização para retirar o capuz quando os sequestradores saíam do quarto. "Passei fome nesses primeiros dias porque a organização do pessoal não era boa e não havia comida nem para eles."
Um dia recebeu ordem para colocar o capuz e foi colocado novamente no porta-malas de um carro. "Nesse novo local fui bem tratado", disse. Ele contou que passava o dia todo rezando. "No oitavo dia, senti que estava preparado espiritualmente para morrer e a coisa foi ficando mais tranquila, embora a preocupação com minha família fosse muito grande".
Os sequestradores, segundo o advogado, perceberam que haviam cometido um engano, "pois minha família não tinha condições para pagar o resgate que eles queriam". Segundo ele, havia uma empolgação com o resultado do sequestro de Antônio Peralta, libertado depois do pagamento do valor solicitado.
As negociações com os sequestradores foram feitas com a deputada Cecília Passarelli. Ela conta que recebia os telefonemas, explicava as dificuldades em arrumar o dinheiro e isso deixava os sequestradores nervosos. "Eles batiam o telefone e depois ficavam três, quatro dias em silêncio, o que dava uma agonia muito grande", disse.


