Londrina - A análise do cientista social Fábio Lanza, coordenador do grupo de pesquisa "História, sociedade e religiões" e integrante da equipe do laboratório de estudos sobre religiões e religiosidades da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é de que o debate sobre essa questão é fundamental e interessante.
"Pensar na liberdade religiosa é pensar também na pluralidade. No Brasil, temos uma certa dificuldade de vivenciar essa pluralidade de religiões porque há uma maioria cristã, mas é verdade que temos inúmeras denominações, grupos e movimentos religiosos que não são de expressão numérica, mas sim, qualitativa. Pensar na liberdade religiosa é uma garantia institucional. Vivemos em um Estado de direito", observa.
Em relação a esse caso, Lanza avalia que a decisão judicial prevalece. Ele avalia que a ação preventiva dos funcionários do HU, associada a uma decisão judicial, predomina sobre os interesses da família. "Pois o próprio juiz já fez seus argumentos, considerando a criança incapaz de decisão. Então, a Justiça pode intervir e definir qual é a melhor ação para os cuidados da saúde do paciente em questão. Não se trata de desqualificar um grupo religioso, mas de compreender as liberdades religiosas e os direitos individuais daqueles que, por hora, não podem se expressar ou estão em condição ou sujeitos às definições externas, como o caso dessa criança", afirma.
Porém, essa situação se difere quando envolve um paciente adulto que se posiciona e deixa explícito seu desejo antes de uma intervenção cirúrgica. Segundo Lanza, tanto a equipe médica quanto o paciente e seus familiares podem adotar outros posicionamentos. "Enfim, quanto a essas questões não adianta fazer uma futurologia", conclui.(M.O.)

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