Uma arte extremamente feminina - a dança do ventre - vem sendo usada como recurso terapêutico na psicologia. O objetivo: resgatar o feminino e levar ao maior desenvolvimento da consciência corporal.
Em Londrina, a psicóloga Josy Neumann, ressalta que a utilização do método é uma maneira de buscar a saúde corporal, emocional e espiritual. ''A prática terapêutica da dança do ventre entra na arteterapia, que busca utilizar todos os canais expressivos, instrumentos como dança, pintura, colagens, argila, até poesia, para trabalhar o biológico e o psíquico'', explica.
De origem incerta - ''há relatos que tenha nascido na Índia, mas também no Egito, e traz elementos da cultura onde está'' - a dança da ventre transcende o simplesmente se movimentar, mas abrange arquétipos femininos, como o da mãe e da prostituta sagrada, que podem ser ativados de modo consciente, diferenciando, por exemplo, feminilidade, de sensualidade e vulgaridade.
''A proposta é integrar esses arquétipos de forma que faça sentido na vida da pessoa, que a mulher resgate o seu modo feminino, mas não como a sociedade espera, mas a partir da consciência do seu corpo e do contato com seus sentimentos, e que a partir disso ela traga mais aceitação e amorosidade consigo mesma'', avalia.
Na psicoterapia, a dança do ventre pode ser feita em grupo ou de forma individual. Nas sessões são trabalhados os movimentos da dança, incluindo respiração e alongamento, e as questões internas que fizeram a paciente buscar a psicoterapia. No fechamento, cada uma relata como foi a experiência, como os movimentos e sentimentos foram percebidos, e como é possível usar isso na própria vida. ''A pessoa passa a aceitar sua história e a decidir o que pode fazer a partir dali. A dança é o veículo para chegar a algo mais profundo'', ressalta.
A postura ereta, lembra a psicóloga, é um dos pilares de qualquer dança e mais ainda na do ventre. Isso, segundo ela, favorece uma respiração mais completa e uma postura que favorece uma melhor circulação de energia nos chacras, que desse jeito ficam alinhados. ''A energia circula melhor, libera couraças, permite que o corpo, pensamentos e sentimentos, sejam utilizados de uma maneira melhor. Conforme vamos nos reequilibrando, vamos enxergando novas possibilidades'', afirma.
Mesmo quem nunca dançou, pode participar das sessões, pois o objetivo aqui é a liberdade de movimento de cada um, o que cada um consegue fazer. ''Trazemos nossa história no corpo e cada 'não' tem um motivo. E, com a prática, também vamos percebendo os avanços'', avalia.
Não é preciso usar roupas específicas da dança do ventre, pois a proposta é justamente fugir do estereótipo da odalisca, mas elas estão disponíveis para quem busca e se sente melhor com elas.

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