A família Magrini vive um drama desde a morte de Emerson Ramos, 31 anos, durante uma rebelião na Penitenciária de Ciudad del Este, no Paraguai, fronteira com Foz do Iguaçu. Há mais de seis meses, familiares acumulam tentativas fracassadas para transferir o corpo dele para São José dos Campos, interior de São Paulo.
Preso em setembro de 2000 acusado de traficar 45 quilos maconha, Emerson morreu enquanto cumpria pena de cinco anos. O motim aconteceu em 14 de dezembro de 2001. Os detentos incendiaram colchões depois de um guarda atirar num interno. O saldo: 24 morreram queimados e asfixiados, quatro deles brasileiros. Outros 92 ficaram feridos.
Um semestre após a morte, o corpo do preso é mantido numa câmara fria da Funerária Bom Jesus, empresa brasileira com escritório no Paraguai, que pede R$ 3 mil pelos serviços funerários. Como a família não tem dinheiro para as despesas, a Justiça do Paraguai deve autorizar o sepultamento naquele país. A previsão é de que isso ocorra amanhã.
O pedido para o enterro foi feito pela advogada Maribel de Acosta. Ciente das dificuldades da família do seu ex-cliente, ela acredita que a melhor solução é o funeral no Paraguai. Ela explicou que, como não consegue falar com os familiares do preso ‘‘há meses’’, decidiu pedir permissão judicial. A comunidade chinesa já doou um caixão.
Católica, a mãe de Emerson, Sandra Terezinha Magrini, disse que gostaria de enterrar o filho em São José dos Campos, cidade onde mora. Mas a dona de uma mercearia, não conseguiu juntar o dinheiro cobrado pela funerária.
Pouco antes de ser informada pela Folha sobre o pedido para o enterro no Paraguai, a irmã do brasileiro, Patrícia Magrini, 29, não poupava críticas ao Consulado do Brasil em Ciudad del Este. ‘‘O consulado em momento algum avisou a gente sobre a morte, nem prestou auxílio’’, acusa.
Conforme informação do Consulado do Brasil, o processo emperrou por causa do valor cobrado pela funerária. O consulado alega não dispôr de verba para o transporte de brasileiros mortos no Paraguai.
Além de Emerson Ramos Magrini, também morreram na rebelião na penitenciária paraguaia os brasileiros Orlando Martins dos Santos, 34, preso sob acusação de roubo; Pedro Silva, 34, e Antônio Pereira dos Santos, 24, acusados de assassinato.

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