Liberação de praias da zona sul provoca bate-boca entre secretários do Rio
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 12 (AE) - Quatro dias após a conclusão da obra do emissário submarino, o carioca já pode ir à praia, mas só em Copacabana. Prefeitura e o Estado, porém, não se entendem quanto as outras praias da zona sul da cidade. Hoje, os secretários estadual e municipal do Meio Ambiente, André Correia e Maurício Lobo, respectivamente, chegaram a bater boca durante um programa transmitido ao vivo pela TV. "Houve precipitação da prefeitura na liberação das praias", disse Correia. "Nós conhecemos a praia como os surfitas e temos uma tradição de cinco anos na medição da qualidade da água".
A discussão aconteceu próximo à colônia de pesca Z-3, no Posto 6 de Copacabana, local escolhido para o governo do Estado divulgar o início da liberação das praias, "porque os pescadores foram os maiores prejudicados com esta situação", explicou Correia. "Apesar de o peixe não estar contaminado, nossa venda caiu em 90%", completou o presidente da colônia Antônio Couto Rodrigues, que lidera cerca de 800 pescadores. "Segunda-feira entraremos na Justiça com uma ação por perdas e danos contra o Estado".
De posse dos dados da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feema), que faz medição diária da qualidade da água em 28 pontos das praias da zona sul, do Pepino ao Flamengo, Correia disse que só as praias de Copacabana e do Leme estarão liberadas a partir de amanhã (13). "É preciso que, em cinco medições diárias, quatro indiquem menos de 1 mil coliformes fecais por 100 mililitros", explicou o secretário estadual. "As manchas de gordura (que estão a cerca de 20 metros da praia) são efeito da poluição, mas não tiram a balneabilidade da praia", afirmou o presidente da Feema, Axel Grael. Discussão - Já a Secretaria Municipal leva em conta, além da polimetria (medição diária), as correntes marítimas, a meteorologia, o ph da água e o aspecto visual. "Nó fazemos previsão, dizemos hoje como estará a água amanhã", disse Maurício Lobo. Em sua medição, o Leme está impróprio para o banho, mas as praias do Diabo e do Arpoador, no início de Ipanema, estão próprias. Sem consenso, o secretário estadual preferiu a prudência: "O melhor que a população faz é seguir a recomendação mais restritiva". Emissário - Correia informou também que as obras para a recuperação dos outros pilares do emissário submarino poderão ser iniciadas ainda este ano. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) autorizou o uso da verba excedente do Plano de Despoluição da Baía da Guanabara para este fim. "Com a desvalorização do real, houve uma sobra de cerca de R$ 30 milhões, extamente a quantia necessária para os reparos do emissário".
De acordo com um laudo da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), feito em 1994, 70 dos 96 pilares do emissário correm risco de se romper, como aconteceu com um deles em outubro do ano passado. "É preciso deixar claro que o conserto desses outros custará muito menos e não exigirá o fechamento do emissário e o consequente despejo de esgoto nas praias", disse Correia. Apesar de a Petrobrás ter realizado o reparo no emissário e dispor de tecnologia para realizar o serviço nos outros pilares, o BID exige que seja feita licitação internacional para a contratação da empreitada. "Mas toda a obra tem que estar concluída em maio do ano que vem, quando termina o prazo do BID para a utilização de sua verba", concluiu o secretário estadual.


