Líbano marca o 25º aniversário da guerra civil
Beirute, 13 (AE-AP) - O Líbano marcou hoje (13) o 25º aniversário do início da guerra civil que matou 150 mil pessoas e terminou há dez anos, em meio à preocupação de que novos conflitos possam surgir após a retirada, em julho, das tropas israelenses do sul do país.
Cerca de 2 mil pessoas cercaram o prédio do Parlamento com braçadas de rosas brancas. Brancas também eram as pombas que dali partiram em revoada enquanto o primeiro-ministro Rafik Hariri assegurava aos manifestantes que "a guerra é coisa do passado" e "jamais retornará".
A guerra teve início com um ataque de milicianos da Falange Cristã a um ônibus que transportava palestinos no subúrbio de Ein el-Rummaneh, de Beirute, matando 26 deles. O incidente se alastrou rapidamente, mergulhando o país num conflito sangrento entre cristãos e muçulmanos que durou 15 anos e causou prejuízos estimados pela ONU em US$ 25 bilhões. Isto além do desaparecimento de 17 mil pessoas e de cerca de meio milhão de refugiados, muito dos quais continuam a viver longe de suas aldeias.
Uma cerca dividiu Beirute em duas zonas controladas, respectivamente, por cristãos e muçulmanos, que desferiam contra o lado adversário ataques de morteiros, foguetes e metralhadoras
destruindo a capital do país antes considerado "a Suíça do Oriente Médio" como importante centro bancário, turístico e comercial.
Dez anos após o término da guerra, as divisões sectárias ainda persistem, embora se expressem mais na política e nos esportes do que em bocas de canhões. A Síria continua tutelando os muçulmanos e Israel ainda ocupa uma faixa do sul do território libanês, alegando querer defender suas próprias fronteiras de ataques da guerrilha muçulmana.
Os israelenses prometem deixar o território sul-libanês em julho e, a partir de então, os analistas temem que uma retirada ordenada por Jerusalém sem um amplo acordo de paz regional incluindo Líbano, Síria e Israel possa mergulhar a região em novo conflito.





