ARNOUN, Líbano, 26 (AE-REUTERS) - Mais de 2.000 manifestantes avançaram hoje (26) sobre arame farpado para reclamar Arnoun, uma vila do Sul do Líbano que Israel e sua milícia aliada local cercaram na semana passada.
Estudantes, líderes comunitários e ativistas políticos uniram-se ao protesto, agitando a bandeira libanesa, jogando partes da cerca num pântano próximo e dançando nos tetos das casas com moradores que os abraçavam e beijavam.
"Sacrificaremos nosso sangue e nossa alma por Arnoun", gritavam eles. O presidente Emile Lahoud saudou-os como heróis.
Forças israelenses, observando os manifestantes de cima do Castelo Beaufort, da era das Cruzadas, fizeram disparos para o ar, mas não houve feridos.
Alguns manifestantes planejavam promover uma vigília durante toda a noite em Arnoun, uma pequena vila que até quinta-feira da semana passada ficava pouco depois da faixa do território libanês que Israel controla logo após sua fronteira nortista.
"Vamos permanecer na vila que libertamos", disse Samir Diab, líder da União da Juventude Democrática do Partido Comunista do Líbano. "Outras pessoas estão vindo para se unir a nós".
Tropas israelenses e seus aliados locais, o Exército do Sul do Líbano, levantaram uma cerca de dois quilômetros na semana passada para isolar Arnoun do resto do Sul do Líbano.
O Líbano denunciou a ação como uma expansão da chamada zona de segurança, que Israel estabeleceu em 1985.
Hoje em Jerusalém, o Exército israelense reiterou que levantou a cerca "para evitar a infiltração de terroristas que planejam plantar explosivos dentro da zona de segurança, e para defender soldados israelenses e do ESL e moradores da zona de segurança".
O Líbano vinha dizendo que iria pedir a convocação de uma sessão do Conselho de Segurança da ONU para discutir a ocupação de Arnoun por Israel, mas foi dissuadido pelo embaixador dos EUA em Beirute, disseram fontes do governo.
Em Beirute, um grupo de pessoas, incluindo ministros e deputados, promoveu uma manifestação na frente da sede de um órgão da ONU. Elas entregaram uma carta exigindo que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, force Israel a se retirar da vila.

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