KFAR TIBNIT, Líbano, 19 (AE-AP) - Com júbilo, música e chuvas de arroz, centenas de parentes e partidários guerrilheiros receberam 13 libaneses libertados por Israel depois de terem sido mantidos por anos como moeda de troca no caso de um aviador israelense desaparecido.
Os 13, soltos com relutância pelo governo de Israel depois de receber uma ordem da Suprema Corte, foram tirados de uma prisão no centro de Israel e entregues para o exército. Com os olhos vendados e algemados, eles foram levados para um ônibus, que tiveram suas janelas cobertas com jornais, e transportados para uma base do exército nas proximidades da fronteira com o Líbano.
Mais tarde, os prisioneiros foram colocados num ônibus da Cruz Vermelha, que atravessou a fronteira, passou pelo território ocupado por Israel no sul do Líbano e cruzou um posto do exército libanês em Kfar Tibnit.
"É como se eu tivesse nascido de novo", disse Youssef Sourour, 31 anos, um dos que estavam no ônibus.
"Não acredito. Estou sonhando", exclamou Hussein Dakouk, também de 31 anos.
Os dois homens, entre os 17 inicialmente capturados, falaram à AP de dentro do ônibus durante uma parada. Eles disseram que estavam prontos para integrar as guerrilhas para lutar novamente contra Israel.
A chegada dos ex-prisioneiros coroou uma semana de acalorados debates no Estado judeu sobre se são permitidos ou não todos os meios para trazer de volta seus soldados desaparecidos.
Os 13 libertados haviam sido capturados no Líbano, no início de 1986, durante uma perseguição a simpatizantes de grupos guerrilheiros.
Israel ocupou o Sul do Líbano em 1982 e transformou a região numa zona de segurança em 1985, alegando que precisava de uma área de contenção contra ataques guerrilheiros a cidades nortistas. Israel notificou esta semana as Nações Unidas que porá fim à ocupação até o próximo 7 de julho.
Alguns dos 13 prisioneiros libertados hoje eram adolescentes quando foram capturados. Muitos cumpriram sentenças impostas por tribunais militares, mas foram mantidos em custódia depois que suas sentenças se expiraram. Israel e sua milícia libanesa aliada mantêm outros 150 libaneses, incluindo dois líderes guerrilheiros.
A Suprema Corte israelense decidiu na segunda-feira que os 13 prisioneiros não podiam ser mantidos como "moeda de troca", rejeitando petições e pedidos de última hora da família de Ron Arad, um navegador da Força Aérea que foi capturado por guerrilhas libanesas depois que seu avião foi abatido em 1986. Seu paradeiro continua desconhecido. Além de Arad, três outros soldados israelenses estão desaparecidos no Líbano.
O chefe de justiça Aharon Barak disse que apesar de entender a dor da família Arad, o Estado teria de trazer de volta o militar desaparecido "dentro das premissas da lei". A ordem de Barak abriu caminho para a primeira libertação imposta pela lei de prisioneiros libaneses num desgastante conflito onde as regras muitas vezes são ignoradas por ambos os lados.
"Não posso descrever minha alegria", disse Hawaiya Yassin, 65 anos, cujo filho, Mohammed, foi capturado por tropas israelenses depois de um ataque guerrilheiro em 1986. Na época, ele tinha 22 anos.
"Tenho estado abalado, sem comer, sem beber, por duas semanas
esperando as notícias", afirmou ela.
Cerca de 2.000 pessoas estavam no posto de checagem em Kfar Tibnit, um dos vários pontos de cruzamento ligando a zona ocupada por Israel com o resto de Líbano. A vila de Kafr Tibnit fica localizada a sudeste da cidade comercial de Nabatiyeh, no extremo norte da zona de ocupação.
Ao passar pelo posto de checagem, o ônibus recebeu uma chuva de arroz, água de rosas e pétalas de flores - a tradicional forma árabe de boas vindas.
Bandeiras dos grupos guerrilheiros Hezbollah e Amal, assim como a do Líbano, eram agitadas.
Alto-falantes colocados em cima de carros tocavam hinos patrióticos e guerrilheiros.
Quando os prisioneiros desceram do ônibus, eles foram recebidos com beijos e abraços. Algumas mulheres choravam, enquanto outras desmaiaram. Os homens livres foram mais tarde levados para Beirute.
"Saudamos a libertação mas nossa alegria não será completa até que tenha retornado todos os prisioneiros e detidos", afirmou o xeque Nabil Kaouk, comandante do Hezbollah no sul.

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