Lewinsky é esperança da oposição para mudar rumo do processo
Washington, 29 (AE-REUTERS) - A partir de segunda-feira, com o depoimento da ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, a oposição republicana inicia sua última tentativa para mudar o rumo do processo de impeachment contra o presidente americano, Bill Clinton. Apesar de ter a maioria das cadeiras do Senado (55), as últimas votaçäes no plenário da Casa têm indicado que dificilmente os republicanos conseguirão os 67 votos necessários (dois terços do total de 100) para remover Clinton da Casa Branca.
Os parlamentares do partido conseguiram impor ontem (28) à noite o cronograma para a próxima fase do processo. De acordo com esse calendário, o plenário do Senado fica em recesso até quinta- feira. Monica será a primeira a depor, a portas fechadas, perante os deputados republicanos que atuam como promotores do processo, dos advogados de Clinton e de um membro da bancada de cada partido no Senado.
Depois, na terça e quarta-feira, depäem o amigo de Clinton Vernon Jordan e o assessor da Casa Branca, Sidney Blumenthal. Cada testemunha será interrogada por quatro horas pelos promotores e outras quatro pela equipe de defesa. Os depoimentos serão gravados em vídeo e o plenário do Senado decidirá posteriormente se autoriza a divulgação das fitas. As perguntas deverão limitar-se a temas que já constam do expediente da acusação contra o presidente. Isso impede, por exemplo, o surgimento de novas denúncias contra Clinton.
A convocação de testemunhas adicionais só pode ser pedida após acordo entre a liderança dos dois partidos no Senado. O líder da maioria republicana na Casa, Trent Lott, reiterou ontem que pretende realizar a votação final até o dia 12.
Monica é a pivô do atual escândalo político-sexual que envolve Clinton. O presidente é acusado de ter cometido crimes de perjúrio e obstrução da Justiça para ocultar a verdadeira natureza de seu relacionamento com a jovem. Durante seu testemunho, Vernon Jordan será novamente convidado a explicar as circunstâncias sob as quais Clinton pediu a ele que arranjasse um emprego pela ex- estagiária. A acusação vai tentar provar que o presidente ofereceu o trabalho a ela em troca de seu silêncio sobre o affair, o que configuraria obstrução da Justiça.
Já Blumenthal é o assessor da presidência para quem Clinton desmentiu - antes de ter admitido as "relaçäes impróprias" com a jovem - ter mantido relaçäes sexuais com Monica.
Mas, apesar da expectativa criada com a convocação das testemunhas, a ala moderada da oposição republicana duvida que o processo culmine com a destituição de Clinton. "Só um dado muito explosivo poderia mudar o curso do julgamento", declarou o senador republicano Richard Shelby.





