Levantamento revela que hoje casação de Pitta seria improvável
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Gabriela Carelli 
São Paulo, 16 (AE) - Apesar de o impeachment do prefeito Celso Pitta (sem partido) ser assunto recorrente na Câmara Municipal, a abertura de um processo de cassação é improvável. Pelo menos neste momento. A reportagem consultou 46 dos 55 vereadores de São Paulo, que tiveram de responder à seguinte questão: o senhor é favorável à abertura de um processso de cassação? Desses 46 vereadores, 22 responderam sim; 7, não; e 9, depende. Oito vereadores não responderam, apesar de procurados, e nove não foram achados.
Às vésperas de uma nova eleição, que ocorrerá no ano 2000, as bancadas de oposição do Legislativo temem que o afastamento precipitado de Pitta resulte em perda de espaço político para o PFL e acabe por favorecer o malufismo. Paulo Maluf (PPB), que tem tentado desvincular-se da imagem de seu sucessor, aposta no impeachment de Pitta.
Entre os que responderam sim, apenas seis afirmaram ser favoráveis a abertura do processo sem questionar a fundamentação da denúncia - omissão, crime ou improbidade administrativa. A maioria dos parlamentares favoráveis impôs restrições, ressaltando que a proposta de impeachment deve estar bem fundamentada para que não sejam cometidos erros. Os maiores temores são justamente poupar Maluf e o ganho de dividendos por parte do PFL, que tenta atrair o vice-prefeito de novo para a sigla a fim de fortalecer sua presença no Estado mais importante da Federação.
Até o PT pode ser prejudicado nas eleições se o Pitta cair, segundo um vereador da situação ouvido pela reportagem. Pelo histórico partidário, na visão deste parlamentar, o PT não tem alternativa e vai ser obrigado a defender o impeachment. Outras respostas afirmativas revelam o clima de instabilidade política causada pela série de denúncias de corrupção contra a administração. Alguns vereadores responderam sim, mas confirmaram: vão agir de acordo com a situação. Declararam votar a favor de um processo de impeachment só se houver fatos graves contra o prefeito.
Havendo fatos graves, até a situação admite mudar de posição. "Se houver realmente corrupção, como vou apoiar um corrupto?", questionou Wadih Mutran (PPB), que respondeu não à pergunta. "Agora é improcedente, mas se um dia tivermos provas concretas...", desconversou o líder do PPB, Paulo Frange. O que significa que o quadro pode mudar em breve. Improbidade - Toda a bancada petista de oito vereadores, liderada por Aldaíza Sposati, acredita que o pedido de impeachment deveria estar embasado na questão do repasse de verbas da Prefeitura para a Secretaria da Educação. No ano passado, o partido tentou pedir o afastamento por esse motivo. Como secretário das Finanças da gestão Maluf, Pitta deixou de repassar R$ 280 milhões para a pasta, entre 1995 e 1996, contrariando norma constitucional. Essa fundamentação petista puniria, consequentemente, o ex-prefeito Maluf, elemento também considerado primordial para a bancada do PSDB em um impeachment do prefeito.
"É fundamental que Pitta seja julgado por improbidade administrativa", ressalta o vereador Nelson Proença (PSDB). "O julgamento meramente político, por omissão, favorece o malufismo." O PSDB acredita que a melhor forma de afastar o prefeito é denunciá-lo por improbidade no caso dos precatórios (dívidas do Município decorrentes de decisão judicial), quando também era secretário de Maluf.


