São Paulo, 13 (AE) - Levantamento realizado pela reportagem com 45 dos 55 parlamentares da Câmara de São Paulo aponta que 34 vereadores estão dispostos a votar a favor do processo que pode determinar o afastamento do prefeito Celso Pitta (PTN) do Palácio das Indústrias.
Para que o processo seja aberto, são necessários, pelo menos, 33 votos. O relatório aprovado pela comissão foi encaminhado para publicação no "Diário Oficial" do Município e todos os vereadores receberão cópias do documento, que serão acompanhadas também da denúncia formulada pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A expectativa é que o relatório seja lido e submetido a votação em plenário na terça-feira (18).
O principal assunto na sessão de hoje foi o parecer da comssão especial, que remete ao plenário a definição sobre o futuro de Pitta. Mesmo com a determinação de vários partidos para que a votação seja em bloco, muitos parlamentares afirmam que ainda estão indefinidos e podem não seguir a orientação das legendas.
"Para mim, o processo está começando hoje", disse o vereador Alan Lopes (PTB). Ele afirmou que ainda irá analisar o parecer e que deve definir o voto apenas na próxima semana. Caso vote a favor de Pitta, Lopes estará desrespeitando determinação da direção do partido, que orientou a bancada a permitir o início da comissão processante (CP).
"Recomendação não quer dizer obrigação", disse o líder do PTB, José Amorim, sobre a posição de Lopes. "Minha posição é a do partido, mas não podemos obrigar niniguém a votar assim", completou o líder do PTB.
No PMDB, a situação também é indefinida. Vários parlamentares da legenda, até mesmo o presidente da Câmara, Armando Mellão (PMDB), afirmaram que são favoráveis à comissão. Outros ainda estão indefinidos. "A princípio, sou favorável", disse o vereador Miguel Colasuonno (PMDB). O líder do PMDB na Câmara, Jooji Hato, informou que serão realizadas várias reuniões até a próxima semana para definir a posição do partido. "Vamos votar unidos", garantiu.
A oposição começou a contabilizar os votos favoráveis para continuação do processo de impeachment. O líder do PT, José Eduardo Martins Cardozo, afirmou que o processo é delicado.
"Se não conseguirmos garantir os votos necessários, o processo é arquivado logo na primeira votação", explicou Cardozo. Depois de perder a primeira derrota na guerra contra o impeachment, Pitta, aparentemente, decidiu assumir a articulação política com a Câmara.
Logo após o fim da última reunião da comissão especial de impeachment, o prefeito convocou um encontro com o líder do governo na Câmara, Brasil Vita (PPB), no Palácio das Indústrias. "Ainda não sei", respondeu Vita, ao ser questionado sobre qual estratégia sugeriria a Pitta.
Em conversas reservadas, os vereadores governistas admitem que a única forma de impedir uma nova derrota do Executivo na Câmara é conquistar os votos necessários para evitar que a oposição reúna o quórum mínimo de 33 votos a favor com o objetivo de aprovar a CP.
"O governo tem de evitar que a base de sustentação se desfaça", afirmou Vita. Vereadores da base governistas, entretanto, garantem que, dificilmente, o quadro será revertido.
"O voto será aberto e todos os vereadores que votarem contra o início do processo e da investigação serão duramente cobrados pela opinião pública brasileira", argumentou o vereador Toninho Paiva (PFL). O vereador Bruno Feder (PTB) também acha difícil reverter o processo em plenário se, numa comissão com quatro parlamentares que sempre foram aliados do governo, isso não ocorreu.

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