São Paulo, 12 (AE) - Segundo levantamento do vereador Bigode, que lidera os contatos com a Ecovias, são mil ambulantes e donos de barraca no sistema: 600 na Anchieta-Imigrantes e 400 na Baixada. Vários deles dizem estar há tempos no local e considerar uma injustiça pagar pelos assaltantes. Eles moram nos bairros de periferia, próximos das estradas, como os bairros-cota (Cota 200, Cota 400, Cota 95) e a Vila dos Pescadores, todos em Cubatão. A esperança de não ser despejados é depositada nos vereadores.
"Quando acontece esse tipo de coisa (remoção) é o vereador Bigode que corre atrás de tudo; antes era o vereador Ubirajara", conta a dona de barraca Maria Deusdedit dos Santos, há 14 anos no km 45 da Anchieta. "Mesmo que não consiga, ele tenta". Ela havia acabado de receber aviso da Ecovias - a vilã dos vendedores informais - de que ia ter de sair em breve do local. "Todo mundo aqui tem registro da época da Dersa, documento com foto e endereço", diz. "Não têm a capacidade de administrar e querem pôr a culpa em alguém".
O vendedor de siris Domingos Yanes da Silva mora na Vila dos Pescadores. Há 30 anos, trabalha na Anchieta à tarde, exibindo os crustáceos aos motoristas. A pesca é feita no Rio Cachoeira. Silva diz que, no "seu setor", ao lado da favela, não ocorrem assaltos. Evangélico, tem fé em Deus e no vereador Sérgio dos Santos para continuar seu trabalho. "Se proibirem, vamos nos reunir e ir à Câmara e atrás do prefeito resolver", diz. "Moro aí na favela, meu barquinho fica ali, esse é meu ganha-pão". (A.L.C.)