São Paulo, 29 (AE) - O levantamento de conjuntura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) confirmou os prognósticos, segundo os quais, o setor produtivo seria o principal beneficiado pela mudança na política cambial. O Indicador de Nível de Atividades (INA) de março, apurado pela entidade, cresceu 2,67% em relação a fevereiro, impulsionado por um aumento no valor das vendas industriais de 10,24% no período. Março foi o segundo mês consecutivo de crescimento nas atividades da indústria após a liberalização do câmbio. O INA de fevereiro cresceu 6,1%, em relação a março.
Os percentuais mostram uma tendência de recuperação, mas não com intensidade suficiente para restabelecer os mesmos níveis de atividade de igual período do ano passado. Em relação a março de 1998, o INA apresenta uma queda de 5,7%, com o valor das vendas 2,6% menor do que em igual período do ano passado. A inflação dos últimos meses também ajudou a corroer os salários dos empregados no setor. O total dos salários reais caiu 8,8% e o salário real médio 2,2% no mesmo período.
Os setores mais favorecidos pela desvalorização do real foram as indústrias de máquinas, têxteis e de alimentos, pelo efeito da substituição das importações, que, com o dólar mais caro, ficaram mais distantes do poder aquisitivo da população. Mas foi o efeito do acordo automotivo, que reduziu os impostos sobre as vendas de veículos, que produziu maior impacto sobre o comportamento das atividades industriais.
O mesmo efeito, mas no sentido inverso, está sendo observado com a perspectiva de interrupção dos benefícios fiscais concedidos sobre as vendas de automóveis. Ao mesmo tempo que as previsões de que o acordo automotivo não será renavado contribuem para acelerar as vendas do setor, estão servindo para reduzir os negócios para o fornecimento de autopeças e componentes fornecidos pela indústria metalúrgica.
Diante desse cenário, a previsão é de queda de 1,9% do INA em abril. A estimativa do comportamento da indústria neste mês foi feita pela equipe do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon), da Fiesp, levando em conta que os fatores macroeconômicos do País permanecerão estáveis. "Previsão não se cumpre", afirmou a diretora do Depea, Clarice Seibel. O estudo sobre as tendências da indústria tem por objetivo fornecer "horizontes" para os dirigentes das empresas do setor, segundo Clarice.
A provável queda nas atividades é resultado de um processo de ajuste nas empresas. "É preciso observar de onde sair e onde estamos", afirmou a diretora do Depecon, ao se referir ao forte impacto provocado pela crise gerada pela mudança na política cambial e a rápida preocupação do setor. "Não estamos vivendo um conto de fadas, nem estamos num mar de rosas." Para Clarice, as condições macroeconômicas são ainda adversas, especialmente no que se refere aos custos financeiros.
Segundo afirmou, a queda da taxa básica para 32% é uma indicação positiva, mas não é suficiente para sustentar os negócios de forma continuada. "É preciso reconhecer os limites da indústria." Para ela, o setor não tem fôlego para manter o mesmo ritmo de crescimento dos últimos dois meses.
O levantamento setorial do INA, feito pelo Depecon, mostrou que o ramo da indústria que mais cresceu foi o mecânico, que reúne os fabricantes de bens de capital, como máquinas sob encomenda, fabricadas em série e implementos agrícolas. As atividades cresceram 17,03%. Na sequência, os setores que apresentaram bom desempenho foram as indústrias de material elétrico e de comunicação (14,63%), produtos alimentícios (7,5%)
material de transporte 6,34%, química (3,3%) e material plástico (0,15%).

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