Levantamento da Conab estima produção agrícola até 2,6% maior
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domingo, 24 de outubro de 1999
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 25 (AE) - As dificuldades de crédito, aliadas ao aumento de preços dos fertilizantes e dos combustíveis, farão com que a produção agrícola do País tenha um crescimento de apenas 0,5% a 2,6% no próximo ano em relação à colheita deste ano (1998/99), segundo dados divulgados hoje pelo ministro da Agricultura e do Abastecimento, Marcos Pratini de Moraes. Caso se confirme essa variação, a safra 1999/2000 deverá ficar entre 82,839 milhões de toneladas (422 toneladas a mais que a colhida neste ano) e 84,549 milhões de toneladas, numa perspectiva otimista.
Os dados divulgados pelo ministro da Agricultura têm como base o primeiro levantamento da intenção de plantio realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que indica uma área plantada entre 36,600 milhões de hectares a 37 215 milhões de hectares para o cultivo de algodão, arroz, feijão
milho, soja, aveia, centeio, amendoim, cevada, girassol, mamona
sorgo e trigo. O próximo levantamento está previsto para o dia 14 de dezembro e deverá vir acompanhado de informações sobre a perspectiva de produção para os demais países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai).
A lavoura de algodão foi a que registrou maior expansão na área cultivada, com um aumento entre 7,9% a 14% sobre a do ano passado, o que corresponde a 751,6 mil a 793,7 mil hectares. Em seguida vem a soja, com um crescimento que deverá oscilar entre 0,7% a 2,8%, ou 30,787 milhões de toneladas a 31,442 milhões de toneladas. Haverá uma redução no cultivo de feijão e de arroz, conforme os dados da Conab. A previsão é a de que a área de feijão tenha uma queda entre 2,6% a 1,7% enquanto a de arroz deverá ser reduzida entre 2,3% a 0,1%. O reflexo disso será uma diminuição entre 5,6% a 2,5% na colheita de arroz, que deverá ficar entre 10,929 a 11,290 milhões de toneladas.
No caso do feijão, mesmo com a diminuição da área plantada deverá ocorrer um crescimento entre 1,4% a 2,8% (2,954 milhões a 2,995 milhões de toneladas), considerando que a colheita de 1998/99 foi de 2,914 milhões de toneladas. Pratini de Moraes explicou que a redução no plantio do arroz ocorreu em função da superoferta do produto, especialmente com as importações feitas do Mercosul. Segundo ele não haverá problemas de abastecimento porque atualmente existe um excedente de um milhão de toneladas do arroz no mercado. Com relação ao feijão, a queda foi causada por problemas climáticos, conforme o presidente da Conab, Benedito Rosa.
Milho - A previsão para o milho é a de que haja um aumento entre 0,2% a 1,5% na área plantada (12,503 a 12,688 milhões de hectares), o que deverá resultar em uma colheita entre 33,297 milhões a 33,890 milhões de toneladas, ou 2,7% a 4 5% a mais que a safra 1998/99. Apesar do crescimento, essa quantia não é suficiente para atender o consumo interno, que é de 35,6 milhões de toneladas ao ano.
Para estimular o cultivo do milho, Pratini de Moraes disse que a partir de janeiro próximo o governo irá autorizar a realização de contratos de opção nos financiamentos concedidos para o plantio do produto. Por essa sistemática o governo se compromete a comprar a produção caso os preços do milho estejam abaixo do mínimo na ocasião, sendo que o produtor ainda tem assegurado o direito de vender a produção no mercado quando os preços estão acima desse patamar. "Esperamos aumentar o plantio com este incentivo", disse o ministro, observando que o cultivo do milho começa em fevereiro.
O presidente da Conab explicou que as projeções feitas para as culturas de inverno (aveia, centeio, cevada, girassol, mamona, sorgo e trigo) têm como base a mesma área plantada no ano passado, uma vez que o cultivo desses produtos só acontecerá na metade do ano que vem. De qualquer forma, ele disse que não deverá ocorrer uma variação muito grande com relação aos percentuais da colheita total porque produtos com maior peso, como soja, arroz e milho já estão praticamente definidos.
Apesar do pouco crescimento estimado, o ministro da Agricultura disse que as exportações da área agrícola deverão melhorar no ano que vem, mais por conta do ganho em dólar do que em volume exportável. "No primeiro semestre deste ano as commodities tiveram o pior preço em 30 anos. Agora isto está começando a se reverter", afirmou. Conforme ele, a expectativa é a de que ocorra um superávit nas exportações agrícolas de US$ 11 bilhões em 2000, o que significa que o setor terá que exportar US$ 31 bilhões levando em conta os US$ 20 bilhões exportados no ano passado.
Pratini também aposta na recuperação do Mercosul, em especial na melhoria das relações com a Argentina após a vitória do candidato oposicionista Fernando De La Rua nas eleições presidenciais deste domingo. "Pelo contato que tive com assessores de De La Rua, há interesse em melhorar as relações entre Brasil e Argentina", observou.


