Levantamento da CNI mostra redução no ritmo de recuperação industrial
Levantamento da CNI mostra redução no ritmo de recuperação industrial16/Mar, 19:08 Por Irany Tereza Rio, 16 (AE) - O ritmo de recuperação da economia diminuiu no início de 2000, como demonstra o levantamento "Indicadores Industriais", da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado hoje. De outubro a dezembro do ano passado, as vendas da indústria tiveram aumento de 8%. Em janeiro deste ano, as vendas reais caíram 9,47% em relação a dezembro. Livre dos efeitos sazonais (as vendas de fim de ano são sempre mais aquecidas), o índice de queda foi de 5,58%. O coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, ressalta que desde agosto do ano passado as vendas industriais vêm apresentando crescimento. Para ele, o recuo de janeiro, que classificou como "mais forte do que o usual", reflete apenas "uma acomodação no ritmo de recuperação da indústria". O parque de São Paulo, que responde por cerca de 50% do faturamento nacional, tem grande influência sobre este resultado. Somado às indústrias de Minas Gerais e Rio, este peso sobe para cerca de 70%. Horas trabalhadas - Embora também tenha apresentado resultado negativo em relação a dezembro (-1,09%), o indicador de horas trabalhadas na indústria em janeiro trouxe um alento: foi a primeira elevação na comparação com o mesmo mês do ano anterior desde junho de 1997. Para Castelo Branco, isso confirma a retomada da produção. A melhora desse indicador deve-se um pouco, também, a uma maior oferta de empregos, embora este não seja o fator determinante em seu desempenho. "Os números de janeiro ainda são negativos em relação a emprego e salário", reconhece. O salário real da indústria caiu 3,05% entre dezembro de 99 e janeiro de 2000. A queda neste período é normal devido à perda de horas-extras, 13º salário e outros benefícios de fim de ano. Descontados os efeitos sazonais, houve um ligeiro aumento, de 0,34%. "As quedas agora estão sendo muito menores do que há seis meses", diz o economista. "Chegamos a um recuo perto de 10% nos salários." Ele prevê, ao longo deste ano, um crescimento na oferta de emprego e nos salários, mas admite que será muito difícil voltar agora aos mesmos níveis de 1998. A taxa de desemprego, que no ano passado ficou, em média em 7,6%, deve se reduzir, "mas a magnitude dessa queda vai depender do ritmo de recuperação da economia", diz ele, apostando num crescimento entre 4% e 5% para o setor industrial. "O ano começou com uma trajetória de normalidade muito grande", afirmou o economista. "Estamos saindo da fase de recuperação para entrar na de crescimento." Ele atribuiu a queda no faturamento industrial do fim do ano passado para o início do ano às condições atípicas do último trimestre de 99. "Houve uma mudança muito brusca de expectativas no fim do ano passado, tanto em relação ao dólar, como no preço das commodities e nos juros", comentou. "Por isso, os índices daquela fase foram mais expressivos do que se esperava."





