Maceió, 30 (AE) - O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), disse hoje que não houve bloqueio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). "O governo federal apenas descontou do nosso FPE uma parcela da dívida e liberou o restante", afirmou Lessa.
Segundo ele, o Estado tinha direito a receber R$ 5,6 milhões de FPE, mas recebeu apenas R$ 2,7 milhões. Os outros R$ 2,9 milhões, segundo Lessa, ficaram com a União como pagamento da parcela da dívida que venceu na segunda-feira (26) e não havia sido paga pelo Estado.
"A partir dessa operação, o Estado está adimplente, mas eu não sei até quando nós vamos continuar nessa condição", afirmou Lessa. Segundo ele, o FPE só não foi retido integralmente graças a um acordo firmado ontem (29) com a equipe econômica do governo federal. Em Brasília, Lessa conseguiu formalizar um termo aditivo ao contrato de renegociação da dívida que transfere o vencimento da última parcela, de ontem para hoje.
Com essa mudança, o Estado conseguiu-se manter-se adimplente até o fim de semana e movimentar os recursos restantes na conta. "Além disso, conseguimos ganhar tempo para discutir uma solução de médio prazo para os problemas do Estado", acrescentou Lessa. Para o governador, o ideal seria que o governo federal reduzisse pelo menos 10% o percentual de pagamento do serviço da dívida, que hoje gira em torno de 15% da receita do Estado.
Essa proposta, segundo Lessa, foi apresentada para o ministro da Fazenda, Pedro Malan, ontem à noite, em Brasília. Segundo Lessa, o ministro disse que ia estudar a reivindicação, mas não prometeu nada. O governador também ficou de negociar com o governo federal as carteiras imobiliárias da Companhia de Habitação Popular de Alagoas e do extinto Banco do Estado de Alagoas para pagar parcelas das dívidas.
Quanto ao pagamento dos salários de junho do funcionalismo, Lessa disse que dará continuidade na próxima semana para os servidores que assinaram o documento abrindo mão do vencimento integral. O governador só não soube dizer quando será iniciado o pagamento de julho e se os salários sofrerão novos cortes. "A data do pagamento eu não sei, mas, certamente, os cortes vão continuar porque continuamos sem caixa para pagar os salários integrais", concluiu.

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