Lessa diz que crítica de FHC a Itamar piorou a situação
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 23 (AE) - O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), disse hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso piorou a situação ao comparar o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, a Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes). "Ele não deveria ter chamado Itamar de traidor. Isso só complicou ainda mais a situação", afirmou Lessa.
Na segunda-feira, após a sessão de abertura dos trabalhos na Assembléia Legislativa de Alagoas, ele acusou Fernando Henrique de ter implantado uma ditadura econômica, dando liberdade aos banqueiros para intervir nos Estados. "Nós derrubamos a ditadura militar e agora vivemos uma ditadura econômica, onde o presidente dá carta branca aos banqueiros para intervir nos Estados e municípios."
Para Lessa, a governabilidade dos Estados depende do pacto federativo. "Ou o governo federal respeita a autonomia dos Estados ou vamos viver um longo período de ingovernabilidade", previu o governador. Ele confirmou que viaja nessa quinta-feira a Brasília, onde pretende se encontrar com os demais governadores de oposição. Segundo Lessa, o local da reunião não será divulgado para não ter caráter oficial. "Vamos afinar o nosso discurso e definir as propostas que apresentaremos ao presidente", adiantou.
Lessa é contra o FEF (Fundo de Estabilização Financeira), a Lei Kandir. Segundo ele, Alagoas perde por mês 10% da sua receita com o FEF, o que representa um prejuízo em torno de R$ 8 milhões. Diferentemente do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), Lessa defende a manutenção do Fundef (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental). Para o governador de Alagoas, o importante é que os Estados recuperem as perdas que tiveram com esses fundos para que possam honrar seus compromissos.
Nesse sentido, Lessa considera positiva a proposta do governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), de que os recursos da compensação financeira pelas aposentadorias e pensões pagas pelos Estados referentes a servidores que contribuíram com o INSS sejam utilizados na capitalização dos fundos de pensões. "Defendo essa idéia desde que era prefeito de Maceió", lembrou o governador, que gasta 41% do pagamento da folha dos servidores com os inativos e quer criar um fundo de pensão para se ver livre dessa despesa.


