As lesões por uso demasiado (overuse) são mais simples do que outras situações de overtraining. ''Os maiores riscos estão relacionados ao aparelho motor. São lesões musculares, fraturas por estresse ou tendinites'', aponta Pedrinelli, ortopedista do Hospital das Clínicas (SP). Segundo ele, não existem áreas mais vulneráveis do corpo, tudo depende da modalidade praticada. Mulheres e homens sofrem lesões da mesma forma. O que pesa são algumas diferenças físicas: a mulher tem quadris mais largos, portanto, sofre uma maior incidência de ligamento cruzado no joelho, podendo sofrer mais lesões nessa área.
O problema é que quem está acostumado a treinamento pesado não costuma dar muita atenção à dor. A administradora de empresas Fabiana Pereira, de 27 anos, por exemplo, teve uma fratura na tíbia (o osso da canela), por estresse. Ela era maratonista, corria cerca de duas horas por dia, e atribui a lesão à falta de descanso. ''Fui morar sozinha nessa época. Trabalhava de dia e estudava à noite, e ia dormir muito tarde. Era pouco descanso para o mesmo ritmo de treino.''
Quando a fratura foi diagnosticada, teve que ficar de molho por cinco meses, fazendo terapias com laser e ultra-som. Hoje, treina até mais horas, como integrante de uma equipe de corrida de aventura. ''Aprendi a tomar mais cuidado: evito correr no asfalto por causa do alto impacto.''
A designer gráfica Karina Milanez Marques de Souza, de 32 anos, sofreu o mesmo tipo de fratura. A dor começou na época em que jogava handebol, no time da faculdade. ''Você pula e cai no chão o tempo todo, isso vai gerando uma fissura no osso.'' Apesar da dor, ela continuou treinando, até o dia em que travou numa corrida, literalmente. Parou de jogar, mas, como não tinham detectado a fratura no raio-X, voltou a praticar corrida de aventura. Depois de um ano e meio, a dor ficou insuportável. Foi quando a fratura foi acusada na ressonância magnética. ''Fiz seis meses de fisioterapia.'' Depois do retiro forçado, recomeçou os treinos paulatinamente. ''Agora, se começo a sentir qualquer dorzinha, paro e vou ao médico.''
Para prevenir lesões ou overtraining, é aconselhável ter o acompanhamento de profissionais e levar em conta a opinião médica. Para Zogaib, o que vale é o bom senso. ''Se você fica muito ofegante, seu coração dispara, você fica sem fôlego, as dores demoram cada vez mais para passar ou ficam até piores, é sinal de que seu corpo não está se adaptando àquela carga de exercícios.'' Já Pedrinelli indica testes de esforço físico, que podem ser feitos no clínico geral ou em um médico do esporte.

mockup