Lesões da queda foram causa da morte de Olga
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Isabela Fleischmann<br>Reportagem Local 

Laudo do IML (Instituto Médico Legal) divulgado nesta sexta-feira (29) mostra que as lesões encefálicas provocadas pela queda foram a causa da morte de Olga Aparecida dos Santos, ocorrida no domingo (24) em um prédio na rua Mato Grosso, no centro de Londrina. O documento indica ainda que a vítima foi agredida antes de morrer.
Conforme a delegada responsável pelo caso, Geanne dos Santos Timóteo, o laudo pericial aponta que, além das marcas na barriga devido a uma cirurgia bariátrica, à qual foi submetida dias antes do ocorrido, Olga tinha feridas feitas por instrumento perfurocortante no braço, no tronco e no supercílio. Uma das lesões chegou a perfurar o estômago da vítima. "Foram constatadas sete feridas incisas, abertas, sangrantes, e com sinais de recentidade, diversas das marcas produzidas pela cirurgia", afirmou.
Segundo ela, as características das lesões indicam que os ferimentos ocorreram pouco antes de Olga sofrer a queda. A delegada afirmou ainda que outras testemunhas serão ouvidas para a conclusão do inquérito, o que deve ocorrer nos próximos dias. "Estamos concluindo o inquérito, apresentando todo o conjunto probatório, todas as evidências, os laudos, as perícias e encaminharemos a conclusão para a manifestação da Justiça", afirmou.
A investigação aponta, de acordo com Timóteo, para crime de feminicídio. "Demais testemunhas confirmaram que ela [Olga] estava segurando [o marido] Luiz [Garcia], e, contrariamente dos dizeres que ela queria se suicidar, pareceu para as testemunhas que ela estava segurando ele para evitar que algo acontecesse", contou. Segundo a delegada, várias testemunhas ouviram a vítima gritando por socorro.
Para Timóteo, os mesmos indícios que levaram à prisão em flagrante de Luiz Garcia e seus familiares estão se reforçando. "A conclusão caminha para a ocorrência dos crimes, além do feminicídio, a alteração do local de forma a enganar o perito. Já foi constatado que boa parte dos vestígios de sangue foi limpa", afirmou.
Luiz Garcia e três familiares dele foram presos no dia seguinte à morte de Olga. Após audiência de custódia, Garcia foi para prisão domiciliar e os outros foram liberados.
Os advogados de defesa da família Garcia, Marcelo Gaya e Carlos Lamerato, alegam que resta esperar os outros laudos, como o do Instituto de Criminalística e o toxicológico, e que tirar conclusões com base apenas no laudo do IML seria "leviano". "Existem outras matérias que corroboram com nossa tese e outros laudos e provas que não foram entregues", disse Gaya.
Para Lamerato, o laudo apenas "evidencia que houve uma morte". "É muito cedo para se falar de feminicídio e, a essa conclusão, a autoridade policial chegou cinco horas depois da lavratura do flagrante, na manhã seguinte aos fatos. Se valeram de uma única hipótese para chegar à conclusão", criticou.
Já o advogado que representa os filhos de Olga, Clayton Rodrigues, afirmou que a conclusão do laudo de necropsia é um passo importante. "O laudo mostra de modo claro que a vítima foi lesionada várias vezes antes que sofresse a queda." Para Rodrigues, o documento pode ajudar a "entender como ocorreram os fatos e em quais circunstâncias".


