LESÃO POR ESFORÇO REPETITIVO - Pesquisa mostra que dentistas também sofrem com LER
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domingo, 27 de março de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Quando o assunto é Distúrbio Osteomuscular relacionado ao Trabalho (Dort) nem sempre o vilão é o computador. Atividades que não exigem o uso do equipamento, como a odontologia, já figuram entre as que mais causam a doença. Uma pesquisa feita por fisioterapeutas de Londrina aponta que 16,4% dos dentistas consultados apresentaram diagnóstico de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e Dort.
Para a fisioterapeuta Thaís Capoani Vieira Silva, uma das autoras da monografia de especialização com o título ''Associação dos Fatores de Risco para o Desenvolvimento de LER/Dort em Cirurgiões Dentistas de Londrina'', apesar do número de dentistas questionados ser pequeno (140 responderam ao questionário para um universo de cerca de 1,2 mil dentistas na cidade), o resultado é significativo. ''Mostra que os profissionais precisam dar devida importância à própria saúde'', constata, citando as fisioterapeutas Tatiana Capoani e Lizandra Camilo dos Santos como também autoras da pesquisa.
Dentistas, segundo a fisioterapeuta, executam muito movimento com os membros superiores e usam um mobiliário que favorece a constante rotação do tronco movimentos repetitivos que podem causar LER e Dort. Além dos movimentos repetitivos, sobrecarga de força e permanência em postura incorreta também podem acarretar prejuízos não só para dentistas, mas para outros profissionais. No Paraná, são oito mil pessoas portadoras do conjunto de doenças. Em Londrina, segundo informações da Associação dos Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos - Norte Paraná (AP-LER), 22 pessoas já se aposentaram por causa das lesões.
Os primeiros sintomas, segundo Thais, são dor, formigamento, dormência e sensação de peso, principalmente nos braços, ombros, pescoço e cotovelos. Mas, o problema é que as pessoas não associam esses sintomas ao trabalho, e não dão a devida importância, não ''ouvem o corpo'' para fazer um tratamento precoce. ''O profissional acha que é uma ''dorzinha'', que vai passar com o tempo. Mas os sintomas vão se agravando, o que leva a tratamentos mais longos e difíceis e pode levar até a perda da função'', explica. Na pesquisa das fisioterapeutas, 38% dos diagnósticos com LER/Dort em dentistas eram tendinite e 16%, epicondilite (inflamação no cotovelo).
No caso dos dentistas, segundo Thais, não é possível adaptar o mobiliário para outro mais ergonômico, mas o profissional pode fazer ''pausas produtivas'', o que significa parar por alguns minutos e fazer exercícios de alongamento. Outro medida preventiva, segundo a fisioterapeuta, é a prática de exercícios físicos, para que os músculos estejam sempre fortalecidos. Outra boa atitude é não exagerar na jornada de trabalho e fazer repousos com qualidade.
Por fim, o dentista ou qualquer outro profissional deve procurar ajuda médica, caso apareçam os primeiros sintomas, para um tratamento precoce. O diagnóstico é feito por um ortopedista e o tratamento inclui medicamento e fisioterapia. ''Quanto mais precoce o tratamento, mais chance de cura'', afirma Thais.
E engana-se quem acha que LER e Dort atingem somente profissionais com maior tempo de atuação. ''Pode aparecer em qualquer idade, desde profissionais com dois ou três anos de formado até com 30 de profissão. Hoje se paga muito pouco e o recém-formado se sobrecarrega'', analisa.


