No país do futebol, as lesões nos joelhos de adeptos do esporte são tão comuns quanto a paixão pelo jogo. Sejam atletas profissionais ou ‘‘de final de semana’’, o que mais acontece é o rompimento do ligamento cruzado anterior. A lesão pode ser tratada, mas o grande problema é que a maioria não procura um médico quando isso ocorre, o que pode acabar agravando o quadro.
  O ortopedista Marcus Vinícius Danieli, de Londrina, explica que a lesão ocorre por um movimento de rotação do joelho, normalmente durante uma jogada individual no futebol. ‘‘Com a perna ‘travada’ no chão, o jogador rotaciona o o joelho para chutar a bola, forçando o ligamento, e é nessa hora que ele se rompe’’, explica.
  A ruptura causa luxação no local e dor. Mas esses sintomas vão desaparecendo com o passar dos dias, sem que isso signifique que a ruptura no ligamento foi solucionada, e fazendo com que a pessoa deixe de procurar um médico.
  Sem tratamento, explica Danieli, o joelho fica instável e começa a ‘‘sair fora do lugar’’ quando a pessoa se movimenta, o que pode acarretar outros problemas. ‘‘A pessoa pode lesionar outras estruturas do joelho, comprometendo o menisco e a cartilagem’’, ressalta.
  Para tratar o rompimento do ligamento é necessário uma cirurgia, onde será feito um enxerto de tendão no local, já que o ligamento rompido não pode ser reaproveitado. Danieli explica que esse tendão é retirado da própria pessoa, normalmente da parte de trás das pernas. O tendão que vai substituir o ligamento é passado por um buraco feito no osso e fixado com parafusos. Tudo é feito através de videoartroscopia, uma cirurgia menos invasiva.
  O tratamento pós-cirúrgico é lento e envolve fisioterapia. Mas, segundo o ortopedista, na maioria dos casos o paciente pode inclusive voltar a praticar esportes. ‘‘Depois de três semanas, o paciente vai poder andar normalmente. O atleta profissional vai poder voltar a praticar esporte depois de cinco a seis meses, e o amador, depois de oito meses’’, afirma.
  Não há estatísticas, mas a freqüência com que o problema ocorre é grande. Danieli conta que faz em média quatro cirurgias semanais de homens que se machucaram em campo.‘‘Recentemente o Grafite e o Luisão tiveram esse problema’’, exemplifica, mencionando os jogadores profissionais do Le Mans (clube francês) e do Flamengo. Não é tão comum, mas a lesão pode ocorrer também, segundo o ortopedista, em jogadores de vôlei e basquete. Nos países frios, a lesão é comum em praticantes de esqui.
  O ortopedista também é um apaixonado por futebol, e dá algumas dicas que podem diminuir as chances de se machucar - um bom alongamento antes da prática esportiva deixa o corpo aquecido e preparado para a atividade, o que ajuda a diminuir a incidência de lesões. Outro cuidado é com o excesso de peso, fator prejudicial no esporte, segundo o médico, pois já deixa as articulações sobrecarregadas. ‘‘Quando a pessoa está acima do peso ela tem mais chances de se machucar e demora mais para se recuperar’’, finaliza.

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