Acompanhado de cinco bispos católicos, o governador vai pedir ao presidente FHC liberação de recursos para a reforma agrária
Arquivo FolhaImpasse Viagem de Lerner pode ser decisiva para viabilizar uma reunião com lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra na próxima semanaO governador Jaime Lerner se reúne às 17 horas de hoje, no Palácio do Planalto, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, para discutir as desocupações de fazendas invadidas no Noroeste do Paraná e pedir recursos que possam financiar a transferência de famílias de agricultores sem-terra para novos assentamentos. Ele estará acompanhado por cinco bispos da Igreja Católica. Números extra-oficiais dão conta de que será preciso pelo menos R$ 43 milhões para custear a reforma agrária no Estado.
A viagem de Lerner também pode ser decisiva para viabilizar em Curitiba, a partir do início da próxima semana, uma audiência com lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na noite de segunda-feira, deputados estaduais da Comissão de Terras, Imigração e Colonização começaram a costurar o encontro conversando com o chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda. Ele pediu que os sem-terra apresentassem uma pauta para a reunião.
Ontem à tarde, os deputados reuniram-se com o coordenador estadual do MST, Roberto Baggio. O movimento considera que três pontos são importantes para reatar o diálogo: qual o tratamento do governo do Estado em relação à reforma agrária no Paraná, terra para assentar as famílias e crédito para os assentamentos já existentes. Segundo o deputado Nereu Moura (PMDB), que preside a comissão, a entrada dos parlamentares no embate entre sem-terra e governo teve o objetivo de ‘‘criar um canal de diálogo entre os dois lados para acabar com a troca de acusações e denúncias’’.
Para valorizar a audiência entre Lerner e o MST, a comissão quer trazer para o encontro representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Associação dos Magistrados do Paraná, IAP e Incra. Rogério Mauro, que integra a coordenação estadual do MST, afirmou que a ida de Lerner a Brasília hoje pode representar o primeiro passo para as duas partes sentarem à mesa. ‘‘O governador tem que trazer soluções positivas’’, disse Rogério, que também não abre mão de continuar contestando versões do governo sobre as desocupações. ‘‘Não vamos nos calar diante de barbaridades’’, afirmou.
No dia de ontem, a batalha da informação prosseguiu. Dessa vez foi a Secretaria da Comunicação Social que denunciou os sem-terra que reocuparam a Fazenda Rio Novo, em Querência do Norte, no sábado. Segundo o governo, ‘‘os invasores depredaram três viaturas, agrediram o tenente Cubas e ficaram com os colchões e cobertores utilizados pelos policiais militares’’.
A Fazenda Rio Novo, desocupada pela primeira vez no dia 7 de maio por ser considerada produtiva, segundo o governo do Estado, já foi atestada pelo Incra, em 1997, como área improdutiva. A informação foi confirmada ontem por Maria de Oliveira, ex-superintendente do Incra no Paraná e atualmente ocupando a função de chefe do Departamento de Conflitos Agrários no Ministério da Política Fundiária. Ela disse também que por causa da edição de uma medida provisória baixada pelo governo federal para definir a titulação legal de terras em área de fronteira - como é o caso da Rio Novo -, o processo retornou para o Incra no Paraná, onde o superintendente José Carlos Vieira terá de confirmar ou não o parecer de improdutividade já dado há dois anos.

mockup