Lerner reclama de 'alarmismo' e pede serenidade
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Leandro Donatti 
Os discursos da Prefeitura de Curitiba e do governo do Estado destoaram ontem. Enquanto o secretário municipal de Saúde, Luciano Ducci, anunciava a suspeita de 30 casos de cólera na capital, o governador Jaime Lerner buscava conter o alarme, apontando a concentração da doença para Paranaguá e a inexistência de qualquer ocorrência em Curitiba.
O horário dos pronunciamentos de Lerner e Ducci coincidiram. Os dois davam entrevistas por volta das 15 horas. O governador reclamou da existência de uma onda de boatos, que só agrava a situação. Não é verdade (que a cólera tenha se expandido para Curitiba). O único caso confirmado foi em Castro. Foi acompanhado e tratado na hora, enfatizava. Uma junta médica de Castro desconfirmava o diagnóstico de cólera naquele município. Mas a Secretaria da Saúde do Estado mantinha o caso ontem na lista de confirmações da doença.
Lerner disse estar acompanhando sempre a situação em Paranaguá. Temos segurança em dizer que a atuação do governo é intensa, afirmou. A mobilização é grande. Mais uns dias e a situação começa a se resolver, projetou. O governador está irritado com o que classifica de alarmismo (numa crítica velada aos veículos de comunicação). Isso não leva a nada. Temos de agir com serenidade. Qualquer situação que não seja enfrentada com serenidade traz risco, declarou.
O grupo de deputados designados pela Assembléia Legislativa para acompanhar a epidemia de cólera em Paranaguá realizou ontem reuniões no município e percorreu as áreas de foco da doença. A comissão diz ter constatado que apenas 29% da cidade dispõe de saneamento básico e que começa um trabalho agora para ampliar a rede de esgoto.


