Os discursos da Prefeitura de Curitiba e do governo do Estado destoaram ontem. Enquanto o secretário municipal de Saúde, Luciano Ducci, anunciava a suspeita de 30 casos de cólera na capital, o governador Jaime Lerner buscava conter o alarme, apontando a concentração da doença para Paranaguá e a inexistência de qualquer ocorrência em Curitiba.
O horário dos pronunciamentos de Lerner e Ducci coincidiram. Os dois davam entrevistas por volta das 15 horas. O governador reclamou da existência de ‘‘uma onda de boatos, que só agrava a situação’’. ‘‘Não é verdade (que a cólera tenha se expandido para Curitiba). O único caso confirmado foi em Castro. Foi acompanhado e tratado na hora’’, enfatizava. Uma junta médica de Castro desconfirmava o diagnóstico de cólera naquele município. Mas a Secretaria da Saúde do Estado mantinha o caso ontem na lista de confirmações da doença.
Lerner disse estar ‘‘acompanhando sempre’’ a situação em Paranaguá. ‘‘Temos segurança em dizer que a atuação do governo é intensa’’, afirmou. ‘‘A mobilização é grande. Mais uns dias e a situação começa a se resolver’’, projetou. O governador está irritado com o que classifica de ‘‘alarmismo’’ (numa crítica velada aos veículos de comunicação). ‘‘Isso não leva a nada. Temos de agir com serenidade. Qualquer situação que não seja enfrentada com serenidade traz risco’’, declarou.
O grupo de deputados designados pela Assembléia Legislativa para acompanhar a epidemia de cólera em Paranaguá realizou ontem reuniões no município e percorreu as áreas de foco da doença. A comissão diz ter constatado que apenas 29% da cidade dispõe de saneamento básico e que começa um trabalho agora para ampliar a rede de esgoto.

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