Lerner pode se reunir com MST na terça
REFORMA AGRÁRIA
Lerner pode se reunircom MST na terça
Movimento prepara pauta para encontro
José SuassunaEspera Sem-terra decidiram permanecer em frente ao Palácio Iguaçu pelo menos até a audiência com Lerner (José Suassuna)Emerson CerviA assessoria de assuntos fundiários do governo do Estado fez um contato preliminar com a coordenação do acampamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), ontem, para tratar da audiência entre lideranças dos sem-terra e o governador Jaime Lerner (PFL). Esta reunião deve acontecer na próxima terça-feira. Até o final da tarde de ontem, a assessoria do governo não havia confirmado o contato. Mas os sem-terra decidiram concluir ainda hoje a pauta de reivindicações sobre reforma agrária que será apresentada a Lerner.
Vamos terminar a pauta e esperar a convocação do governador, afirmou Ireno Prochman, coordenador do acampamento do MST em frente ao Palácio Iguaçu. Segundo Prochman, a principal reivindicação já está definida. Queremos que 11 mil famílias sejam assentadas no Paraná ainda em 1999. Este número é praticamente dez vezes maior que a meta de assentamentos anunciada pelo governador na quarta-feira. Lerner conseguiu, do Governo Federal, R$ 25 milhões para assentar 1.200 famílias.Com esses R$ 25 milhões só dá para financiar a safra de verão dos 12 mil assentados do Estado, é insignificante, opinou Ireno.
De acordo com o sem-terra, o Paraná precisa de R$ 105 milhões para investimentos em novas áreas, R$ 40 milhões para infra-estrutura dos assentamentos e outros R$ 25 milhões para custeio da safra de verão. A comissão do MST vai apresentar ao governador um relatório com as fazendas que devem ser desapropriadas no Estado.
Os sem-terra também pretendem marcar uma audiência com o prefeito Cassio Taniguchi para a próxima semana. Eles vão pedir a instalação de chuveiros, material didático e merenda escolar.
Crianças e idosos sem-terra que estão acampados em frente ao Palácio Iguaçu não serão transferidos para o Parque dos Tropeiros. A coordenação decidiu manter todo o acampamento no Centro Cívico pelo menos até a audiência com o governador.
Depois da morte do bebê Gabriel Kais, na quarta-feira, Lerner voltou a propor a transferência de crianças e idosos para o Parque dos Tropeiros, onde há melhor infra-estrutura. Se nosso objetivo fosse resolver apenas os problemas dos acampados daqui poderíamos mandar o pessoal para o parque, mas existem outros 10 mil filhos de sem-terra em acampamentos no interior do Paraná em piores condições que as daqui, disse Ireno.
Estão acampadas em frente ao Palácio Iguaçu cerca de 120 crianças com menos de 12 anos e 50 idosos com mais de 70 anos. A farmácia do acampamento recebe, em média, 30 pessoas para atendimentos por dia. A maioria é de crianças com gripe ou problemas respiratórios. No Parque dos Tropeiros, na Cidade Industrial de Curitiba, há refeitório coberto, espaço próprio para acampamento, banheiros e 20 chuveiros elétricos.
Os sem-terra chegaram a Curitiba no dia 8 de junho e ainda não conseguiram a instalação de cinco chuveiros elétricos no local. A assessoria do governo informou ontem que não devem ser instalados os chuveiros elétricos pedidos. A justificativa é que haveria riscos de curto-circuito na rede de energia elétrica.
Bebê O promotor de Justiça André Mereheb Calixto determinou ontem a abertura de inquérito para apurar responsabilidades na morte do bebê Gabriel da Silva Teixeira Kais, de nove meses. Ele estava com os pais no acampamento em frente ao Palácio Iguaçu e morreu na madrugada de quinta-feira.
O promotor convocou representantes da Secretaria de Estado da Saúde, Secretaria Municipal da Criança, Conselho Tutelar da Matriz, Programa Municipal SOS e do Hospital de Clínicas para prestar esclarecimentos. Os pais da criança afirmam que ela estava com pneumonia e que tentaram interná-la no HC, mas não conseguiram. A direção do hospital diz que o bebê morreu por bronco-aspiração maciça, provavelmente enquanto dormia.





