Lerner, em Brasília, critica MST
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de maio de 1999
Agência Estado 
O governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), acusou ontem o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de não cumprir o acordo de desocupar áreas produtivas no Estado. É um desserviço ao próprio movimento, que perde credibilidade diante da Nação, disse ele, depois de apresentar o projeto Vila Rural em um seminário no Congresso.
Lerner acusou o MST de invasão de áreas produtivas, sequestro de funcionários e abate de gado. Afirmou estar determinado a cumprir as decisões judiciais de reintegração de posse, mas reiterou seu interesse em soluções negociadas. Felizmente, não temos tido problemas graves, comentou. Responsável por 23% da produção de grãos do País, o Paraná tem recebido brasiguaios e sem-terra de Pontal do Paranapanema (SP). A migração é alta, disse o governador.
Jaime Lerner acredita que a descentralização é o melhor caminho para a reforma agrária sem acirrar conflitos. É injusto atribuir ao Estado apenas o papel de polícia, disse ele, referindo-se ao fato de a força policial estadual ser acionada para garantir a reintegração de áreas produtivas ocupadas. Com a transferência de poderes, o Estado passa a fazer a avaliação da produtividade ou não da terra, cadastrar famílias e executar, de fato, a política de assentamentos. Com isso, vamos acelerar o processo, disse o governador. Ele ressaltou, porém, a importância de o governo federal liberar os recursos para apoio aos assentados.
Gilberto Portes, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), rebateu a acusação de Lerner, de que o movimento não está cumprindo o acordo de desocupar áreas produtivas no Estado. Portes disse que as ocupações são feitas em propriedades que não cumprem função social e os trabalhadores rurais precisam pressionar o governo do Estado. O MST está pedindo audiência com o ministro da Justiça, Renan Calheiros, para discutir o problema da reforma agrária no Paraná.
Vila O projeto Vila Rural é a proposta do Paraná
para a reforma agrária voltada aos chamados bóias-frias, pequenos agricultores e criadores de animais de menor porte. Com o financiamento de R$ 90 milhões do Banco Mundial (Bird), nestes quatro anos foram instaladas 17 mil famílias em 170 vilas.
As vilas poderão participar do programa do ministério para a agroindústria, afirmou o ministro da Agricultura, Francisco Turra, presente ao seminário.


