O governador Jaime Lerner considera que o Estado já está conseguindo controlar a epidemia de cólera em Paranaguá. Para Lerner, todas as medidas para conter a propagação da doença foram tomadas. Ontem, ele esteve em Paranaguá visitando as áreas atingidas pela doença. No entanto, os registros de casos subiram de 205, no domingo, para 223, ontem, da mesma forma que cresceram os internamentos - de 17 para 20. Também ampliou-se a região onde se encontra o vibrião no Litoral, atingindo o Rio Itiberê e a totalidade da Ilha de Valadares.
Lerner apontou como principal medida a transferência da sede da Secretaria de Estado da Saúde para Paranaguá até que diminuam os registros da doença. ‘‘O secretário Raggio fica na cidade, monitorando a cólera’’, disse. O governador afirmou que toda a estrutura de saúde paranaense está sendo usada. ‘‘Podem ser ampliados os postos de atendimento ao público, que hoje são em 13, junto com a Santa Casa’’, acrescentou o secretário Armando Raggio.
Mas o secretário da Saúde de Paranaguá, Wolnei Bonotto, considera que a Santa Casa, onde se concentra a totalidade dos pacientes, está operando no limite, apesar de reconhecer que está recebendo os medicamentos necessários para atender os pacientes coléricos. Raggio afirmou que, depois de solucionar a epidemia, deve repassar recursos à rede hospitalar da região.
Raggio disse que o governo estadual ampliou a área de monitoramento dos rios do município. Junto com a prefeitura, os técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) passaram a levantar o número de pontos de esgotos irregulares. O pátio de triagem de caminhões do porto, também teria seu esgoto tratado.
Quanto ao controle de alimentos, a prefeitura fechou as 60 bancas de ostras e mariscos do Mercado Municipal. Em troca, o governo estadual passará a fornecer cestas básicas a esses coletores. Porém o presidente da Confederação Nacional dos Pescadores, Edemir Ferreira, considera que esta medida é paliativa, porque não resolve os problemas da região. ‘‘Existem dois mil pescadores que não estão conseguindo vender sua mercadoria, por causa da cólera’’, disse.
Ferreira, que também integra a Associação de Pescadores de Paranaguá, entende que a solução seria estender este benefício a todos os trabalhadores envolvidos com a pesca. ‘‘Além de comida, seria interessante dar dinheiro para pagar as contas’’, sugeriu. Em todo o litoral parananense, existem oito mil pescadores. Hoje, um grupo que representa a categoria deve se encontrar com o secretário chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, para pedir a ampliação das pessoas beneficiadas.

mockup