Curitiba, 21 (AE) - O governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), anunciou hoje a contratação de 900 policiais civis, a partir de abril. Eles fizeram concurso público e terão treinamento prático e aulas teóricas. "É sangue novo para oxigenar a polícia", disse.
Hoje, há 3.077 policiais civis no Estado. A Polícia Militar tem 16.885 homens. Segundo o governador, a correção que está sendo feita na Previdência permite novas contratações. "Vai ser um bom investimento", afirmou.
A contratação dos policiais faz parte de uma série de medidas que começarão a ser adotadas na Polícia Civil do Estado, divulgadas hoje por Lerner. As medidas foram apresentadas durante a posse do novo secretário de Segurança Pública, José Tavares. Ele substitui o ex-secretário Cândido Martins de Oliveira, que pediu demissão, após ter sido posto sob suspeição por membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara dos Deputados, que estiveram em Curitiba no início do mês.
Lerner disse que as medidas vinham sendo estudadas e foram apressadas em razão das denúncias de que policiais participam do crime organizado. "É necessário dar uma resposta imediata." Segundo ele, a comissão criada para investigar os policiais deverá apresentar o relatório em menos de um mês. "Não haverá contemplação", afirmou. Segundo ele, a punição dos maus policiais vai destacar o trabalho dos honestos.
A segurança pública também receberá mais 500 carros novos, 300 deles, imediatamente. Hoje, a frota é de 4.548 automóveis, a maioria para a Polícia Militar. O policiamento ostensivo também receberá o reforço de 450 motos-patrulha. Nos próximos dias, 150 delas estarão circulando por Curitiba. O restante vai para o interior do Estado.
A Polícia Civil ganhará ainda uma nova corregedoria. "Com mais gente, novas rotinas, rapidez nos processos e aplicação de penas severas", garantiu Lerner. Também está sendo criada uma ouvidoria especial para a instituição. Com ela, o governo espera que a população ajude a fiscalizar a ação policial. Tanto o nome do corregedor como o do ouvidor devem ser anunciados sexta-feira (24) pelo secretário de Segurança Pública.
O governador também delegou ao secretário a nomeação do novo delegado-geral. O ex-delegado-geral João Ricardo Kepes de Noronha foi demitido pelo governador, quando teve o nome envolvido no crime organizado. Ele teve a prisão temporária decretada e está foragido.
Os advogados dele tentam relaxar a prisão para, só então
o apresentar. O cargo está sendo ocupado interinamente pelo delegado Marco Antonio Lagana, mas o substituto será conhecido sexta-feira.
O novo secretário de Segurança Pública, que atuou como delegado entre 1969 e 1977, disse que a prioridade é resgatar a imagem da Polícia Civil, abalada com as denúncias de envolvimento com o narcotráfico. "Temos de ir a fundo na investigação dos policiais acusados", afirmou Tavares. "Não vamos conviver com servidores policiais marginais, que serão eliminados como exemplo para a corporação, respeitando-se a legislação vigente e o amplo direito de defesa."

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